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Nós somos a resistência

Depois de um breve período ausente, estou de volta. Os compromissos de trabalho e os imprevistos da vida me tiraram de campo por um tempo, mas a vontade de compartilhar experiências sempre se manteve intacta!

Lendo a recente biografia do Guga (Guga, um brasileiro), comecei a ter lampejos de consciência acerca da minha própria caminhada. Acredito que seja algo natural entre os amantes da literatura. A gente se deixar levar pelas histórias e, sobretudo, se identifica em maior ou menor grau com determinadas passagens, dependendo do nosso contexto.

Lá pelas tantas, o Guga fala sobre como é estar no topo, ser o número 1 do mundo no tênis. A princípio, nenhuma grande novidade: é preciso conviver com a enorme pressão dele próprio para ser cada vez melhor, além de saber lidar com o assédio da imprensa e dos fãs, acostumados com os repetidos sucessos do Brasil em outras modalidades mais populares (na época, futebol e F1). No entanto, ele continua a sua reflexão e toca num assunto interessante:

"No tênis, além do meu pai e do Larri, até os meus 20 anos, ninguém esperava que eu fosse me tornar o maior tenista do planeta. Mesmo eu tinha extrema dificuldade para me convencer disso. No Brasil, de maneira geral, convivemos com o hábito de depreciar nossa capacidade e nossos valores. Cresci envolvido nesse contexto [...]"

Infelizmente, foi assim comigo e talvez com você também. Não sei exatamente quando começou a circular essa espécie de "vírus da alma" que tantos males vem causando ao longo dos anos. Olha, é algo digno de estudo acadêmico. Confesso que ainda não estou plenamente curado, mas tenho fé que falta pouco.

Até por volta de 2010, no meu caso, eu seguia na base da encenação. As minhas convicções eram cambaleantes e os resultados dos meus esforços só enganavam os menos atentos. Eu fazia um vídeo pra faculdade e "poutz, alguma coisa não tá legal"; criava algumas músicas em casa (minha paixão eterna) e parecia que batia na trave; no trabalho, me empenhava até o limite do possível e não via quase nenhum progresso. Eu vivia numa inconsistência constrangedora e não via uma saída sequer. Na época, eu conversei a respeito disso com a minha família e até cogitei mudar de curso ou trancar a faculdade pra dar uma espairecida. Com a incentivo deles ganhei fôlego e decidi continuar, mas ainda sentia aquela fragilidade emocional. 

Começou um novo semestre e surgiram as primeiras figuras-chave da minha vida. Comecei uma disciplina chamada "Elementos de linguagem musical" com um professor que era novo na área. Era um figurão! O professor Gerson era conversador, agitado e com uma energia incrível. O que mais chamava a atenção nele, contudo, era a sua capacidade de simplificar e "destravar" as coisas. Nada era impossível. Seja lá qual fosse a maluquice que se tinha em mente, ele dava um jeito de operar. Criamos curtas (a minha história mais bizarra no curso envolve um desses pequenos filmes), uma radionovela e alguns projetos paralelos. A própria trajetória de vida do Gerson mostrava que ele tinha descoberto uma forma de se curar do tal vírus e queria compartilhar isso. Ele havia começado a cursar música numa universidade federal com 27 anos - relativamente tarde para os nossos padrões e mais ainda para algo de alto nível. Não é absurdo, mas exige um baita empenho. Mas ele foi lá e deu um jeito. Além de professor universitário, era produtor musical e já vinha sendo reconhecido por trabalhar com áudio para filmes.

Eu sentia que o clima estava mudando e decidi arriscar mais. Passei a botar no papel todas as ideias que pintavam na mente. Também me escalei pra criar o tema musical da radionovela que depois foi elogiado pelo professor e pelos colegas. No futuro, aquele sopro de incentivo seria o suficiente pra que eu criasse um disco inteiro no meu próprio quarto e viesse a realizar um dos maiores sonhos da minha vida: ter uma música minha tocando na rádio! Que mudança. Lembro também que ele foi o primeiro a insistir na ideia de que a gente deveria valorizar mais os nossos trabalhos e inscrevê-los nas mostras competitivas de cinema. Até poucos meses atrás, eu não queria mostrar nada nem pra minha mãe e agora estávamos mandando nossos filmes pro Brasil inteiro. 

E não é que o sujeito tinha razão nisso também? Alguns colegas começaram a ser premiados aqui e ali. O ambiente ficou mais competitivo. Nem parecia mais o mesmo curso. Era o nosso momento. Beliscamos algumas mostras competitivas e ganhamos confiança. Em 2012, no ano em que lancei meu disquinho, também encerrei a minha graduação levando um prêmio importante com meu trabalho de conclusão, um curta-metragem chamado "Dia da verdade". Nesse período fui orientado pelo professor Jair, outra figura importante e incentivadora, que sabia extrair 101% dos alunos nos momentos mais decisivos! De um modo geral, foi inacreditável a mudança que ocorreu em apenas dois anos. 

Saímos do ambiente acadêmico e encaramos a realidade brutal do mercado de trabalho. Muitos ficaram pelo caminho. Por vezes, as coisas demoram um pouco para engrenar, dependem de uma série de fatores além da nossa vontade e se torna uma parada duríssima manter o planejamento. No entanto, muitos também estão em empregos bacanas ou com seus próprios negócios e projetos. A verdade é que se você tem força de vontade suficiente pra se curar desse vírus (também conhecido historicamente como "complexo de vira-lata", forma pela qual o Nelson Rodrigues se referiu ao fenômeno) você vai vencer, cedo ou tarde. 

Oscilaremos, assim como os nossos ídolos oscilaram por diversas vezes. Faz parte da jornada, somos de carne e osso. Aos poucos também teremos a clareza sobre a efemeridade das conquistas pessoais. A impermanência vai nos dar uma outra perspectiva. Porém, a crença nos nossos valores deve ser inabalável. Jamais podemos baixar a guarda. Temos infinitas possibilidades de nos reinventarmos, de criarmos um contexto mais positivo para as pessoas do nosso círculo social. Nós somos a resistência! 



Como você edita o que vê?

Quando comecei a gravar e editar vídeos, há oito anos atrás, eu apenas fazia tudo de modo muito técnico, deixando passar muitas experiências. A estética falava mais alto e o conteúdo bruto era pouco lapidado ou então era lapidado com base na rigidez do formato estético que se buscava. Aos poucos, fui buscando um equilíbrio nesse sentido.

Iniciei o dia editando um novo documentário e, mais uma vez, fico emocionado com os fragmentos de história que tenho a oportunidade de conhecer. Penso que se estivermos realmente em sintonia com aquilo que fazemos e com a realidade que nos rodeia, teremos acesso a alguns tesouros. Diz o coach que só passamos a enriquecer materialmente de fato quando passamos a entender e resolver os problemas dos outros. Em meio a selvageria do meio empresarial, não deixa de ser uma constatação sábia. De modo espiritual ou pelo viés da sabedoria, acredito que enriquecemos quando temos a capacidade de entender a trajetória e a intrincada complexidade de cada ser humano. Só compartilhamos experiências (as riquezas fundamentais) quando estamos conectados com o outro de alguma forma. Se não houver empatia, a relação se desenvolve como um rádio que só emite chiados e informações que não são captadas plenamente. Um simples ajuste de configuração pode melhorar tudo. 

Ao editar uma entrevista, conheci a história de um professor que teve que lutar para conseguir construir uma escola na comunidade na qual morava, isso lá na década de 40. Depois de pronta, a escola não tinha livros e a estrutura era bem precária, mas ele não mediu esforços para ensinar as crianças. Cabe salientar ainda, que ele e seus familiares tiveram que lutar para chegar com vida até o local em que iriam se estabelecer. Passaram semanas na estrada, viajando de carroças com a mudança por estradas enlameadas e diante de um clima intensamente chuvoso. Como se não bastasse, a comida começou a ficar escassa e era preciso abrir estrada no meio do mato para seguir viagem num determinado momento. Ao chegar, tinha início um novo desafio: construir moradias, plantações e tudo o que era necessário para que a pequena vila prosperasse. Eram outros tempos. Enquanto eu tomava conhecimento daquela incrível odisseia, fiquei me perguntando quantos teriam coragem hoje em dia de fazer aquilo tudo? 

Atualmente, dispomos de um arsenal de desculpas para continuar na mediocridade. É o governo, é o tempo, é a saúde, é o medo, é o azar, é o capeta, é a falta de dinheiro e é tudo junto somado a alguma coisa que não conseguimos nomear... Mas que interfere, interfere. "Meu Deus do céu, é tudo tão complicaaaado". Talvez, tenhamos nos perdido na vastidão de um vazio de significado. Foi essa epifania, aliás, que levou Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, a desenvolver a Logoterapia enquanto estava vivendo dias terríveis preso num campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Foi roubando papéis de um escritório do campo que ele esboçou o seu livro "Em busca de sentido", que explora o sentido existencial/espiritual do indivíduo. O que nos mantém vivos? Para ele, basta um forte significado para viver. Um objetivo claro pelo qual lutar, em outras palavras. No caso de Frankl na época, o objetivo era simplesmente escapar com vida (o que de fato aconteceu quando as tropas americanas libertaram o local). Para os desbravadores que entrevistamos para o documentário, talvez seja dar condições de vida melhores para os filhos e netos.

De acordo com alguns psicólogos, esse imenso vazio pode ser considerado como o fator determinante para a depressão e, inclusive, para casos de suicídio. A depressão já é a doença mais incapacitante, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Se trata de uma crise global e que infelizmente continua crescendo de maneira alarmante. Comentei com a minha equipe de trabalho o quanto esses depoimentos que foram captados estavam impactando positivamente a minha vida. A diretora do projeto sorriu e me disse que era a "Catavento terapia" (Catavento é o nome da empresa para a qual eu presto serviço). Brincadeiras à parte, era realmente isso mesmo. Ao me sintonizar com aquelas pessoas, eu estava encaixando peças importantes do meu quebra-cabeças. Passei a entender o que estava mudando de uma geração para a outra e como eu me via em relação aos meus antepassados.

Já em casa, entre goles de café e no conforto de um condomínio fechado - fechado para o externo e fechado também para o próprio interno, entre trincheiras numeradas, olhos mágicos e regras frias de convivência pregadas no elevador - consigo refletir com uma dose ácida de clareza. Penso que estamos cada vez mais distantes de um sentido de comunidade e, pior, estamos distantes de nós mesmos. Muitas vezes não estamos sequer dispostos a iniciar uma revolução interior, visando uma melhor qualidade de vida. Não conseguimos nos motivar para que possamos evoluir e assim, consequentemente, não conseguimos ajudar ninguém, nem minimamente. Como você edita o que vê? Como você estrutura a realidade em que vive?



Nós somos patéticos

Embora sejam muitas as coisas más deste mundo, a pior dentre todas é a sociedade.
Arthur Schopenhauer


Dizem que o cérebro humano é um dos órgãos que mais consome calorias. Talvez por isso, exista tanta gente apelando para os regimes. Consumir notícias enlatadas, cheias de conservantes de poder, impregnadas de realçadores de interesses, prejudica a saúde mental. 

Em contrapartida, indignar-se é uma das melhores coisas que pode acontecer com o ser humano. Tento me manter indignado com tudo que julgo estar errado no mundo. Quanta inocência a minha. Muita coisa passa despercebida. Não obtenho sucesso. Só o teria se fosse cego, surdo e mudo. Um vegetal, talvez. Obtendo o sucesso pela total falta de consciência. 

Quinta-Feira, 02 de Abril de 2015. Sou atingido por uma notícia que embrulha o estômago. 

No Quénia, extremo Leste da África, terroristas islamitas shebab, oriundos da Somália e vinculados à Al-Qaeda, invadiram durante a madrugada a Universidade de Garissa e mataram 148 pessoas, em sua maioria estudantes, além de deixarem outras tantas feridas. Inicialmente, a barbárie foi indiscriminada, depois, os invasores separavam as possíveis vítimas entre muçulmanos e não muçulmanos. Aqueles que não sabiam alguma oração muçulmana tornavam-se vítimas instantaneamente.

Esse fato isolado, já é motivo para dar um desarranjo em qualquer observador atento, porém a segunda torção intestinal é desencadeada pela forma com que os principais meios de comunicação brasileiros trataram a tragédia. Replicando a mesma forma fria de cobertura que as agências de notícias mundiais fizeram.

O tempo de exibição, composto por cortes imprecisos na edição das imagens, não durou mais do que dois minutos. Nada de câmera lenta e repórter descrevendo as cenas. Não lembrou nem um pouco o drama midiático dado ao ataque à redação do jornal satírico Francês Charlie Hebdo, em 07 de janeiro desse ano, que resultou em 12 mortos, entre cartunistas, funcionários do jornal, seguranças e policiais. 

Não estou querendo dizer com isso que a gravidade dos ataques possa ser colocada numa balança apenas pelo tempo que a mídia destinou a eles, mas, se a maioria das pessoas que está na frente da televisão, - e falo especificamente dela, estiver consumindo as notícias sem mastigar direito, o efeito é justamente esse. O ataque à redação do jornal francês dará a impressão de ser muito mais grave do que o atentado à Universidade queniana. 

Em decorrência do atentado em Paris, a frase “je suis Charlie” (eu sou Charlie) fez eco em grande parte do mundo, principalmente no civilizadíssimo e evoluído mundo ocidental. Líderes mundiais se uniram, artificialmente, caminhando nas ruas de Paris, para demonstrar repúdio aos atos terroristas em solo francês. Nas palavras de Slavoj Zizek, filósofo, teórico crítico e cientista social esloveno, é a mais pura imagem da falsidade hipócrita mundial. A imagem de líderes mundiais que caminham de mãos dadas enquanto, nos bastidores, enfiam facas uns nas costas dos outros.

Agora, nesse recente atentado no Quénia. - Quénia? Mas onde fica o Quênia? 148 pessoas assassinadas sob um superficial pretexto religioso, - pois há outros contornos (econômicos e geopolíticos) nesses ataques, e quem realmente digeriu o assunto por inteiro? Quem, numa semana marcada pelo consumo de chocolates e peixes, realmente deu-se conta que estávamos vendo mais uma demonstração de como a informação pode ser maquiada, para parecer mais ou menos aterradora? 

Existem dois pesos e duas medidas quando atentados terroristas são cometidos em países ricos e países pobres? Colocando no mesmo patamar os dois massacres, evitará que caiam no esquecimento daqui uma ou duas semanas? E, melhor, evitará novos atentados mais ou menos solidariedade mundial?

Mais enjoado fico, quando noto que a atenção da mídia brasileira equilibrou duas reportagens, colocando-as no mesmo nível, o descontrole emocional de um jogador de futebol que abandonou a partida, numa cena teatral em que atira a camiseta do time no chão enquanto a torcida o vaia, com a “cobertura” do atentado à Universidade Queniana. 

– Que horror! 

– O terrorismo no mundo? 

– Não, a falta de amor à camisa desses jogadores de hoje em dia. 

Volto à realidade, com a prova de que o direcionamento midiático é tão forte, que dediquei mais linhas escrevendo sobre a hipocrisia da solidariedade mundial à França, em detrimento ao massacre no Quénia. Falta-nos memória, atenção e senso crítico. “Nous sommes pathétique.” Pluralizando e traduzindo amplamente: nós somos patéticos.



Série Despertar: Por trás das cortinas do cenário global (parte 1)


“E quando o medo estourar seus fogos no horizonte,
O Velho Ser de novo bate à sua porta...
- ‘Não o deixe entrar,
Ele não faz parte da gente!’ – a voz de um lado gritou.
- ‘Não... Isso não tem cara de dia que,
antes das duas horas, não vai chover... Não com estes trovões...
Eles vão se esvaindo sobre nossas cabeças...
Como um tormento se distanciando.’ – respondeu uma segunda voz”


As poucas linhas acima são o suficiente para remeter o leitor a um cenário dúbio e paranoico em que vive um possível personagem, protagonista do conflito interno ali descrito. Vendo-o, de certo modo, acuado pelo medo, somos capazes de visualizar a paranoia e a insegurança como substâncias principais do enredo. Se simplesmente acrescentássemos ao final das linhas acima a frase: “Logo depois as nuvens devem sumir e então poderemos olhar para o lado e ver tudo claro novamente!” Nossa impressão do cenário já se moldaria de uma maneira diferente, pois nos livraríamos da angústia em relação ao sofrimento do nosso protagonista imaginário. O alívio que sentimos quando passamos a saber que o personagem em questão possui perspectivas de sair do limbo em que está é o resultado de nos tornarmos conscientes da existência de uma realidade mais favorável ao alcance das mãos dele. 

Para contribuir com a série Regidos pelo Medo, publicada aqui, resolvi abordar a questão sob uma ótica mais abrangente do que a minha relação com este sentimento que, sem dúvidas, é algo que todos conhecem muito bem. A intenção é começar a desvendar, ou pelo menos lançar alguma luz, sobre os mecanismos que funcionam por trás das cortinas do cenário global. Mecanismos que, usando o medo e a paranoia como matéria prima, constroem silenciosamente um império financeiro e político que não visa o bem o estar, liberdade ou qualidade de vida da imensa maioria da população do nosso planeta. Além disso, esses mecanismo servem como pano de fundo para que se perpetue uma espécie de “doutrina do medo”, instituída em nossas educações por séculos a fio. A intenção é também lançar um olhar na direção do passado e procurar entender que, desde muito cedo, essa doutrina jamais lhe permite tornar-se consciente de o que realmente significa ser um ser humano! 

O medo, sem duvida, é uma espécie de “força-paralisante”. Ele paralisa. Trava. Tranca. Emperra. O medo dissemina, nos casos mais extremos, pavor e desespero. Pânico. Manter alguém, seja um ser humano, uma comunidade ou até mesmo países inteiros, acuados, controlados sob diferentes formas de medo, torna-os mais facilmente manipuláveis. Em determinados casos o pavor é tamanho que pessoas são capazes de aceitar o sofrimento e se submeter a qualquer coisa para evitar que seus temores se tornem realidade. O medo, em suas mais variadas manifestações, é explorado avidamente pela indústria cinematográfica, por exemplo. Personagens “paralisados de medo”, “aterrorizados” ou simplesmente “desesperados” são um prato cheio para o público que, particularmente, se diverte sentindo medo. Quem não apavora-se ao ver Regan tendo convulsões e se retorcendo quando está sendo possuída pelo demônio no filme “O exorcista”, de 1973? E isso é apenas o começo. O menu para quem quer arrepiar-se na frente da tela é interminável. Poderíamos fazer uma relação considerável de filmes aterrorizantes que o cinema produziu, mas a proposta aqui é outra. Ok, vamos aos fatos. 

Duvidar da existência de grupos altamente organizados que manipulam os cenários políticos e econômicos internacionais, executando uma agenda que não pode ser divulgada na imprensa, é um ledo engano. Por outro lado é preciso procurar a verdade por trás da cortina de mentiras e boatos que circulam pela rede quando o assunto são as sociedades secretas, os grupos detentores do poderio financeiro global e os manipuladores ocultos da religião e das figuras e politicas internacionais. Isso sem falar no infame “Sistema de Reservas Fracionarias”, utilizado pela maioria dos bancos no mundo todo. 

Ora, o que você sente quando descobre a influência e o tipo de operações de entidades como a Aliança Trilateral e o Clube dos Bildenbergs? O Bohemians Club ou a Ordem dos Skull and Bones? O Fundo Monetário Internacional? O Banco Mundial? A Reserva Federal Americana? Sim, essas e mais um apanhado enorme de siglas, que representam organizações conectadas entre si por uma rede de segredos e interesses comuns. São, na verdade, várias cabeças de um mesmo monstro que age nas sombras, sem tornar publico seus verdadeiros objetivos. Você pode começar a se perguntar agora. A perguntar-se o que vai sentir, ou que sentiu quando tomou conhecimento da atuação destas organizações, caso já as conheça. Pois vou lhe dizer, meu caro leitor... Medo. Medo é a resposta. Vamos fazer um apanhado geral, começando pela Ordem dos Skull and Bones, para corroborar as ideias expostas aqui. 

Esta organização obscura foi fundada em 1832, por William Huntington Russel, proprietário então de uma empresa de transportes chamada Russel Co. que era, na época, conhecida por traficar enormes quantidades de ópio para China, no período das guerras do ópio. O nome “Skull and Bones”, traduzindo para o português, significa “caveira e ossos” e está associado por pesquisadores ao costume de utilizar caveiras humanas e símbolos contendo crânios e ossos em seus estabelecimentos. Além disso, estudiosos em geral, apontam que essa característica tem relação com a possível influência recebida por Huntington da Ordem dos Illuminati, no período em que viveu na Alemanha. Mais de vinte anos depois, em 1856, a ordem ganhou o direito de construir uma casa matriz no campus universitário de Yale, em New Haven, Connecticut, Estados Unidos. Um enorme prédio de pedra e sem janelas, com três andares e estrutura interna labiríntica, repleto de câmaras e salas secretas foi erguido e ainda está lá. Verificar a veracidade destas informações é bastante simples para quem procura formar opinião baseado em fatos e não boatos. A sede da ordem existe até hoje e é chamada por seus integrantes de “O Túmulo”. 

Os detalhes assustadores desta organização são muitos, um deles é a simpatia de seu fundador, e também de seus membros, pela extrema direita. Em sua sede em New Haven, de acordo com o livro da jornalista americana Alexandra Robbins, “Secrets of the Tomb: Skull and Bones, the Ivy League, and the Hidden Paths of Power”, que é licenciada em Yale, a ordem possui uma valiosa coleção de artefatos nazistas, incluindo (pasmem!) a utilização da prataria pessoal de Hitler em suas reuniões! Nas suas fileiras podemos encontrar três ex-presidentes dos Estados Unidos: George H. Bush, o pai de George W. Bush, ambos membros da ordem e ex-presidentes dos Estados Unidos e William Taft. Para ilustrar melhor as conexões, vale lembrar que Prescot Sheldon Bush, avô de George W. Bush, em 1930, era presidente da Union Banking Corporation e mantinha relações estreitas, além de negócios lucrativos, com Fritz Thyssen, um magnata alemão do ferro que abastecia a máquina de guerra alemã. Em função do agravamento dos conflitos e da ameaça nazista se tornar cada vez mais real o presidente Truman encerrou as atividades da Union Banking Corporation durante a segunda guerra mundial, acusando-os de beneficiar o inimigo fazendo negócios com os nazistas. No rol de presidentes da U. B. C. estão uma série de integrantes da Skull and Bones. O Próprio Prescot era um membro da organização. Mas não para por ai o envolvimento de integrantes da ordem com os nazistas durante a segunda guerra mundial. Contudo, não vamos nos ater apenas na identificação do grupo com os nazis. De acordo com alguns pesquisadores há fortes indícios de que a Skull and Bones está conectada com outras importantes sociedades secretas instaladas na Europa e Américas e de que compartilhe rituais e atividades ocultistas que envolvem altíssimo grau de secretismo. Trata-se de um pequeno clube de representantes de famílias muito, mas muito ricas que agem como titeriteiros, puxando os cordéis do poder americano por trás da cena e espraiando seus tentáculos por todo o mundo. Um exemplo disso foi a eleição presidencial americana de 2004, quando tanto George W. Bush, candidato republicano, quanto o democrata John Kerry, seu adversário nas urnas, eram integrantes desta obscura organização. São intelectuais, magnatas da indústria e da mídia, políticos nas mais altas posições, senadores, congressistas, juízes, diretores da CIA, presidentes e diretores de bancos e da Reserva Federal que juraram fidelidade aos mesmo ideais secretos, comungados pela ordem. Por trás da cortina de fumaça é possível detectar uma organização que, não apenas pela perspectiva de lucros incomensuráveis, tem por objetivo controlar e manipular a humanidade através da guerra, da fome e das doenças. Aqui procurei fazer um resumo extremamente sucinto desta organização, mas não será difícil comprovar essas intenções quando você pesquisar mais dados sobre o assunto. Não é arriscado dizer que outra prova destas intenções funestas foi o escândalo do Banco de Comercio e Crédito Internacional, no final dos anos 80. 

De outro lado, intimamente conectado com os Skull and Bones e diversas outras ordens e organizações secretas, está o Bohemian Club. Fundado em 1872, trata-se um clube composto, talvez, pela verdadeira elite do planeta. Com taxas anuais e de iniciação de milhares de dólares, a sede do clube fica em São Francisco, Califórnia, mas suas atividades obscuras acontecem principalmente no Bohemian Grove, no município de Sonoma, um bosque de sequoias com mais de 2.700 ha, em Monte Rio, também na Califórnia. Presidentes de vários países, governadores, gigantes da mídia, líderes de mega-corporações predadoras e da indústria e banqueiros internacionais chegam a ficar na lista de espera para participar do clube por até vinte anos! 

O Bohemian clube é composto, por assim dizer, pelos verdadeiros “reis estabelecidos”, como afirmou Alex Jones, em documentário independente, Dark Secrets Inside the Bohemian Grove, produzido no ano 2000 no qual se infiltrou, com uma equipe de cinegrafistas, no acampamento de verão do clube. Apesar de sua postura um tanto quanto religiosa, em certos momentos, tirar um pouco da legitimidade de suas afirmações, a coragem e desejo de trazer à tona a verdade são características admiráveis do trabalho dele. As câmeras escondidas captaram imagens exclusivas da “Cremação do cuidado”, evento anual realizado no final do mês de julho, em que é “simulado” o sacrifício de uma criança em frente a uma estátua de concreto, com doze metros de altura, de uma coruja (símbolo do clube), atribuída ao deus babilônico Moloch. Por alguns historiadores referirem-se à Moloch como uma espécie de demônio da antiguidade, a queima da efígie humana (simulação do corpo de uma criança), levanta suspeitas por tratar-se de um ritual com pesadas características ocultistas, certamente elaborado, nos mínimos detalhes, por alguém ou um grupo com extremo conhecimento de causa. A Cremação do Cuidado (Cremation of care), é feita sob pesadas regras de sigilo e é protegida por serviços de seguranças particulares e colaboração de agencias de inteligência de vários países! A queima da efígie acontece a uma distância razoável dos mais de dois mil membros que participam do encontro anual. A análise das imagens e do áudio captados pelas câmeras de Alex Jones revelam uma série de gritos quando um sacerdote, vestindo túnicas e mantos parecidos com os da Ku Klux Klan (assim como diversos outros integrantes do ritual), ateia fogo a “efígie humana”, envolta em panos, sobre uma espécie de altar em frente a estátua gigante de Moloch, que tem feições de coruja. Os detalhes assustadores da cerimônia são muitos e merecem atenção (e espanto!) por tratar-se de um ritual em que estão presentes centenas de figuras de considerável influência na política, economia, meios de comunicação, universidades, cinema e indústria mundial. Amigos, atentem para o fato de que isso acontece ANUALMENTE. 

São poucos selecionados, algo acima de dois mil membros, todos homens, pois não são aceitas mulheres, que se reúnem para participar de um ritual em que, possivelmente, uma criança seja sacrificada na frente de um personagem do Antigo Testamento, pois Moloch é mencionado no Livro de Levíticos. Esta cerimônia começou a ser realizada em 1929 e, até hoje, acontece sem qualquer cobertura da imprensa mundial. Os homens da família Bush (que também são membros dos Skull and Bones), Ronald Reagan, Nixon, o Príncipe Charles, Bill Clinton e Alan Greenspan (economista norte-americano que foi visto saindo do Bohemian Grove semanas antes de assumir a presidência da Reserva Federal Americana), as famílias Rockfeller, Rothschild e outras mais, não são apenas membros do Bohemian Club, mas também de outras organizações, como o Clube de Bilderberg, a Aliança Trilateral e o Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Estes poucos personagens aqui citados foram (e são) responsáveis por diversas guerras e politicas externas que afetam a economia, soberania e segurança das populações de países por todo o planeta. 

As questões são: Por que líderes mundiais precisam manifestar este tipo de comportamento? Participar de uma “simulação de sacrifício de uma criança” não seria, por si só, algo suspeito? E o que dizer quando as lideranças globais estão envolvidas nisso, participando e ajudando a manter a névoa em torno de suas atividades e verdadeiras agendas? 

Talvez seja impossível responder a estas perguntas, porém podemos unir as peças do enorme quebra cabeça que se desenha perante nossos olhares e procurar ligar os fatos para visualizar o verdadeiro cenário global que afeta, de uma forma ou de outra, nossos cotidianos. Não deixe de acompanhar a continuação desta pequena tentativa de lançar luz sobre estas organizações no próximo post, em que falaremos exclusivamente do Clube de Bilderberg, Aliança Trilateral e Conselho de Relações Exteriores e, para encerrar, um terceiro e último capitulo em que abordaremos o Sistema de Reservas Fracionárias e a atuação dos bancos nacionais e internacionais como verdadeiras engrenagens de um sistema global que procura manter os cidadãos de continentes inteiros sob uma espécie de controle, muito conveniente para eles, retardando ou impossibilitando o despertar!



As mulas e os trotes

Pleno período dos trotes nas universidades. A maneira mais imbecil que os “veteranos” recebem os “calouros”, e a forma mais inútil que os recém-chegados acham para se inserir no ambiente acadêmico.

A questão não é somente pintar o rosto, comemorar a entrada no ensino superior e confraternizar com os outros estudantes. O tema passa a gerar polêmica no momento em que alguém é forçado direta ou indiretamente a participar de um trote violento. Assim, imediatamente a reflexão se torna válida.

Surgem notícias que seguem a linha da violência psicológica e física. Ingerir comida com vômito e fezes. Correr sob o sol carregando vísceras de animais. Deitar no chão enquanto é pisoteado e coberto por lama, urina, tinta, comida estragada. Chamar de tortura não é exagero. Embora a tortura possua o frágil pretexto de arrancar informações, no trote, qual é o pretexto?

Alguns dizem que essa iniciação tem como pretexto marcar a passagem ao ambiente intelectual. Como se antes de entrar efetivamente para a universidade, o calouro precisasse ser domesticado através do trote violento. É trágico ouvir uma besteira dessas. E, como se não bastasse, existem professores que a dizem. São os mestres da repetição, popular “papagaiagem”. 

Achar normal a dita comemoração que, muitas vezes, acaba em morte por coma alcoólico, morte por afogamento, marcas físicas irreparáveis, desistência de seguir na faculdade, é tapar o sol com a peneira, empurrar o problema com a barriga. Coisa que muitos reitores são PhD no assunto.

Para minimizar a polêmica questão dos trotes, alguns reitores lavam as mãos baixando instruções internas que o proíbem dentro dos campus. A comemoração foge aos olhos da comunidade acadêmica e, em geral, concentra-se em repúblicas, sítios e clubes, onde a festa começa com intimidações e termina com violência. É repugnante ver o sadismo estampado nas faces de alguns “veteranos”.

Longe das universidades e sem uma repressão a essa prática ignorante, uma das formas de persuadir os “bixos” - que muita gente acha bonitinho escrever com X nas faixas comemorativas, é o chamado suicídio social. Consiste em forçar indiretamente o calouro a participar dos rituais de iniciação. Ou seja, o papo furado é; Se não participar dos trotes, o “bixo” não será convidado para as festas, viagens do curso, seminários.” Será excluído. Como se os calouros precisassem dos “veteranos”, - os mais babacas, diga-se de passagem, que dão um tempo nos “estudos” para aplicar trotes violentos, para exercerem a sua independência acadêmica.

Calouros jogam no lixo sua dignidade e cantam pelos corredores da universidade em tom de brincadeira; “Bixo não é gente, bixo não é nada.” Repetem, com orgulho desesperado, a mesma frase nas redes sociais. Fortalecem, indiretamente, uma possível atitude violenta por parte dos “veteranos”. Alimentam as mulas. 

Já que a maioria dos calouros vem do ensino médio, jovens com pouca idade, afoitos por aceitação, não resistem à ameaça de exclusão. Quem por volta dos dezessete anos quer realmente ser excluído? A armadilha dá certo e quase todos aderem. Aqueles que ainda assim resistem e se recusam a participar, são convencidos pelo uso da força.

O resto é fácil de imaginar. Discussões, brigas, mais violência e temos o alimento que os trotes precisam para serem repassados ano após ano, isso desde o século 14. Por volta do ano de 1340, na universidade de Paris, já constam relatos dos primeiros trotes violentos.

Vemos então que a boçalidade é importada. No Brasil, há um dos primeiros casos de trote que não terminou bem registrado no ano de 1831. Em 29 de março daquele ano, na faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco, um estudante recusou-se a participar das humilhações e foi morto a facadas e bengaladas por um dos veteranos. O que mudou de lá para cá nos trotes violentos foi que as pessoas deixaram de usar bengalas como moda, pois a violência dos trotes ainda segue como tendência. Quanto mais idiotas são os “veteranos”, mais cruel é o trote. Constatação simples feito dois mais dois, que, para alguns praticantes de trotes violentos, a conta dá zero.

Fica claro que há um circulo vicioso nos trotes. O pensamento simplista é; “Se nesse ano recebi, ano que vem vou aplicar.” Repetir a humilhação nos então calouros.

Existem inúmeras possibilidades que substituem o trote por uma atividade que propicia a integração dos estudantes e, simultaneamente, traz benefícios à comunidade na qual a universidade está inserida. Basta incentivo da instituição de ensino e vontade dos alunos.

Passa, também, por uma questão pessoal a atitude de quebrar o ciclo. Reproduzir a babaquice dos trotes violentos, nada mais é do que uma espécie de vingança do avesso. De calouro intimidado, alguém passa à veterano que precisa a todo custo provar a sua suprema burrice. 

A palavra trote remete a cavalos, mas nas universidades, brasileiras e mundo a fora, trote lembra mulas e burros. Que empacam e repetem atos violentos erroneamente chamados de “brincadeiras”.


Breve Cronologia do trote no Brasil

1831 – Francisco da Cunha e Menezes, morto a facadas e bengaladas por um veterano na Faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco.

1861 – Stockler de Lima, aluno do 5º período da Faculdade de Direito do Largo São Francisco – SP. Espancado por tentar defender seu irmão que sofria humilhação em um trote. Entre os agressores estão, Theofilo Carlos Ottoni (filho de um futuro governador de Minas gerais) e Manoel de Campos Salles (Futuro Presidente da República).

1881 – Fundação de um clube antitrote na Faculdade do Largo São Francisco, pelo escritor Raul Pompéia. Clube Nove de Setembro.

1957 – Na PUC Sorocaba – SP, alunos da primeira turma de medicina aplicam trote em si mesmos para terem o direito de fazê-lo na turma seguinte.

1962 – Na mesma PUC Sorocaba, um aluno foi colocado nu em um barril de água com cal. Resultando em sua morte.

1970 – Devido ao uso de ácido no trote, aluno fica cego em Faculdade do interior de SP.

1975 – Cinquenta alunos da faculdade de engenharia da Universidade Federal do Paraná, têm a pela queimada por cal.

1980 – Na academia militar de Realengo – RJ, calouro é amarrado aos trilhos do trem e morre devido à um infarto.

1990 – Mais um aluno morre de infarto, após fugir de um trote, na Fundação de Ensino Superior do Rio Verde, em Goiás.

1991 – Aluno sofre trote/tortura, durante 30 horas na Universidade Federal da Bahia.

1999 – O calouro da faculdade de medicina, da USP, Edison Tsung Chi Hsueh, morre afogado numa piscina dentro da Universidade. Outros calouros contam que ele avisou que não sabia nadar, mesmo assim, veteranos o jogaram na água e pisavam nas mãos de quem tentava se agarrar na borda.

2010 – Na Universidade de Brasília, veteranos obrigam calouras a simular sexo oral com linguiça molhada em leite condensado.

2014 – Jovem é levado em coma para o hospital devido a trote aplicado por veteranos do curso de engenharia mecânica da Universidade Federal de Santa Maria. O jovem tinha as roupas encharcadas com querosene.



O Brasil segue dividido

Qual será a definição correta para CPI?

* Circo Para Idiotas
* Caminhões Parados Indefinidamente
* Concessão de Passagens Ilimitadas
* Com Propinas Inimagináveis
* Corrupção Petróleo e Ingerência
* Consertar Pelo Impeachment

PT. PSDB. PMDB. PP. PDT. PTB. PC do B. Etc... Etc...


A política enoja. Revolta. Independente de partidos políticos, siglas, conchavos.

Algo cheira mal nesse jogo de poderes que lembra o ditado popular, "Ruim com ele, pior sem ele".

A democracia Brasileira é bem recente.

Parece que somente com o passar do tempo e com muito esforço, teremos uma gestão pública, no mínimo, aceitável.

Buscar esclarecimento. Acertar na hora do voto. Exigir mudanças na forma de governar e fortalecer as instituições que combatem a corrupção. Saídas existem, mas são extremamente difíceis.


Enquanto a cisma continuar restrita a determinados setores sociais, classes contra classes contra classes... Continuaremos andando em círculos, ajoelhados, "de quatro"... Em quatro anos.

 


Fé, sonhos e delírios de grandeza


Em tempos de crise, somos obrigados a apelar para todos os santos. Passamos a acreditar em milagres por força da ocasião. Movidos pela fé, vamos até a lotérica mais próxima e encaramos aqueles sessenta enigmáticos números do bilhete. Com apenas 6 dezenas, a probabilidade de ganhar é de uma em 50.063.860. Eu dificilmente ganho no cara ou coroa, mas não interessa, pois "só vence quem joga", como ensina a sabedoria popular. É hoje, é hoje, só pode ser hoje minha gente.

Acumulou! 90 milhões! - avisa a placa caprichosamente escrita à mão, em letras garrafais e num tom de vermelho que faz os esperançosos tremerem o corpo inteiro. Correria no dia do sorteio. Filas e mais filas. Entrevero para entrar, entrevero para sair. Apostadores experientes discutem sobre os números que nunca são sorteados, elaboram teorias intrincadas e, em intervalos regulares, reclamam dos canalhas de Brasília. Já os apostadores iniciantes ficam procurando absorver aquelas informações todas. São mais observadores. Alguns até arriscam alguns palpites na tentativa de entrar na roda, mas geralmente são reprimidos. "Olha esse garoto, ele marcou o um", eles dizem entre risos. O garoto não desiste e troca o assunto para os canalhas de Brasília. Sábia decisão.

Outro jovem lá no canto, transbordando confiança, esconde o jogo. Anota firme e confere com rapidez. Dá beijinho no bilhete. Já ganhou, certamente. Dá mais uma olhada. Faz o sinal da cruz. Agora sim, tudo pronto. Não, espera, falta beijar o crucifixo. Quase colocou tudo a perder. Que números são aqueles? Será que ele marcou o número um, contrariando os ensinamentos?

O velhinho do lado esbraveja porque errou ao marcar o último número. “Era pra marcar o cinquenta e dois. Puta que o pariu”. Então, ele pega outro bilhete e começa tudo de novo. Ajeita o óculos. O suor deixa a testa e se alia a naftalina num lenço desbotado. Com calma, o ancião vai riscando as dezenas escolhidas com um esmero comovente. Tento passar a mão no bilhete antigo, mas levo uma reguada na mão. “Larga o bilhete”. O velhinho usava a régua para se orientar melhor na marcação dos números. “Mas o senhor não disse que tinha marcado errado”? Ele me encara com um ar profético. “Deus pode nos surpreender, meu jovem”. Me obrigo a pegar um novo bilhete. Anoto os mesmos três primeiros números que o velho. Logo ele percebe e começa a inclinar o corpo para esconder as apostas. Resmunga algo indecifrável. Depois vocifera com voz rouca e trêmula: “Não é o cinquenta! Puta que o pariu”. Errou novamente. Olhares curiosos, pescoços erguidos. “Sai daqui, sai daqui”, ele grita já erguendo aquela régua diabólica.

Vou até o outro balcão e me deparo com uma cena peculiar. Uma mulher está de olhos fechados - uma mão na caneta e a outra na testa -, sussurrando algo. O suor escorre galopantemente pelas suas têmporas. Me aproximo lentamente, buscando não dispersar a concentração dela. Tenho a impressão de que se trata de uma sessão mediúnica no improviso, uma ligação direta com os bem informados do plano celestial. Obviamente, eu também anoto aqueles números. Psicografia na lotérica. Jesus, parece que é isso mesmo. Será que ninguém percebeu? Decido que devo ajudar - sutilmente, é claro. Então, eu tiro o meu boné e faço vento na direção da apostadora. Ela marca os números sem abrir os olhos. A coisa é séria. Gostaria muito de saber quem está do outro lado da linha. A situação se manteve igual por pelo menos mais trinta segundos. Então, a mulher abriu os olhos e eu parei de fazer vento, porém me mantive olhando para ela como um idiota. Ao invés de um "obrigado", ganhei apenas uma sugestão: "lave o seu boné de vez em quando". Mal agradecida.

O calor estava infernal e aquela era uma clássica tarde de verão. Os ventiladores não venciam a batalha contra o amontoado de seres naquele minúsculo ambiente e, parafraseando um certo jornalista beberrão, o meu sangue era espesso demais para suportar aquele clima. Eu estava com duas apostas infalíveis na mão: a primeira era fruto dos três primeiros números que eu copiei do velhinho, além do danado "cinquenta e dois" e da sabedoria dos apostadores experientes; a outra tinha sido psicografada. De uma forma ou de outra vai acontecer. Cinco reais hoje, noventa milhões de reais amanhã.

O jornal coloca as possibilidades em perspectiva. Eu poderia melhorar a minha vida e garantir que os meus descendentes esbanjassem por meia dúzia de gerações, pelo menos. Poderíamos adquirir trocentos carros populares e trocentos apartamentos. Zilhões de Chokitos. Dar uma volta ao mundo de vez em quando se hospedando nos melhores hotéis. Porém, "seria prudente investir uma fatia  no Tesouro Direto". São tantas possibilidades.

As horas que antecedem o sorteio são preenchidas com sonhos e delírios de grandeza. Obviamente, eu ajudaria a minha família e as pessoas mais próximas (não todos, pois a minha compaixão é limitada), além de algumas instituições que simpatizo há bastante tempo. No entanto, suponho que as cervejas em promoção, aliadas a um ego inchado e essas altas temperaturas também interfiram na formulação da lista. Vejamos: erradicar de uma vez por todas a dengue e certos gêneros musicais em Pinhalzinho (primeiro trabalharemos em nível local); show do Metallica no Grêmio Recreativo (medida complementar); abrir um cassino em Chapecó, transformando a cidade na Las Vegas brasileira ("já está tramitando o projeto que legaliza jogos de azar no Brasil e temos que largar na frente", disse um amigo); viajar para o espaço (só depois que a Virgin construir uma nave decente); duas torneiras na cozinha, uma com água e outra com Jack Daniel's... Eu ficaria confuso. Me parece que o sujeito realmente abonado precisa ser criativo, caso contrário não conseguirá aproveitar a sua vida satisfatoriamente. Terá que contratar um consultor. De fato, não sei. O sorteio vai começar. Prometo que escreverei, mesmo que esteja nas Bahamas.


Diálogo com Alceu (O encontro)

Dia típico de Verão. O calor e as sombras estendidas na calçada indicam que a temperatura passa dos 30º graus e os relógios avançam sobre as 17:00 horas.

Estou indo até uma loja de informática saber notícias do meu computador que está para conserto. Duas semanas de espera. Parece que foram dois anos. A dependência tecnológica é evidente. E ainda há a aflição em descobrir se perdi ou não todos os arquivos gravados no disco rígido. 

Fotos de família. Músicas. Livros digitais. Material da graduação. Textos e poemas que escrevi ao longo dos anos. Semelhante a uma agenda, como uma mesa de trabalho ou um guarda-roupas, o computador pessoal mostra muito sobre seu dono. 

Caminho com pressa na estreita calçada em frente à um ponto de táxi que fica numa espécie de pracinha formada pela bifurcação da rua. Uma minúscula ilha urbana com um relógio eletrônico que lembra um solitário coqueiro. 

- O sol torrando a testa propicia essas miragens. 

Me aproximo do relógio. Hora e temperatura piscam em algarismos vermelhos. A cor atrai. Olho dois segundos para o relógio e de relance passo a vista no sol. Ofuscado pela luz forte retorno o olhar para a calçada e enxergo um tipo inusitado escorado no poste do relógio. 

Completamente coberto pela sombra ele observa minha pressa. O tipo aparenta uns 50 e poucos anos. Usa um óculos Ray-Ban enorme. Tem cabelos lisos, sem corte. Bagunçado. Barba rala. Camiseta cinza ou preta desbotada. As mangas cortadas. Braços finos. Baixa estatura. É magro, mas não fraco. Parece alguém que pratica esporte ou que gasta calorias em algum trabalho braçal. Ele veste uma bermuda jeans desfiada que termina um pouco abaixo dos joelhos. Um dia deve ter sido calça. Tênis estilo sapão ou tipo pantufa, daqueles com mais espuma que muitas almofadas chiques. Entre os dedos um cigarro de palha. No pulso um relógio tão caro quanto o óculos Ray-Ban. Estranha mistura de estilos. Olho ao redor para ver se encontro alguma moto estacionada. Uma Harley? A primeira vista é um coroa aposentado que adotou o estilo Easy Rider. Mas sequer vi bicicleta. Tampouco tatuagens. 

Sem dúvida um tipo inusitado, que não se vê com frequência. 

Nesse passo apressado, estou cruzando à sua frente. Ele me encara e diz com voz fina, porém alta. 

- E aí, maluco, qualé? 

Sigo caminhando. Não respondo. Ele, novamente. 

Qualé, cara, perdeu a língua? Tá com medinho, playboy? 

Uma das coisas que mais me incomoda é ser chamado de playboy. Tenho a impressão que o cara sabe disso. 

Caminho um pouco mais e paro. Olho para trás e respondo. 

- Não, cara, não estou com medo, só estou com pressa. 

Ele emenda com a explicação. 

- A galera passa e fingi que não me vê. Pra mim é medo. Cagaço pelo meu estilo, tá ligado? 

- Eu não tenho medo do teu estilo, cara. Porque teria? Até acho que os mais perigosos, os temíveis mesmo, usam terno e gravata. 

Respondo seco. 

- Humm, tô ligado. Gravata é uma parada bem inútil. 

- Pois é. Cara, eu tô com pressa mesmo. Tenho que chegar num lugar antes que feche. 

- Tá só na correria, maluco, relaxa. Qualé teu nome? 

Penso em dizer outro nome qualquer, afinal é um estranho, mas falo o verdadeiro. 

- Me chamo Douglas, cara. Qual é o teu? 

- Alceu... Alceu dispor! 

Solto uma inevitável gargalhada e chego mais perto. 

- Alceu Dispor? Pergunto. 

- É cara, Alceu Dispor, serviços gerais. Faço de tudo. Pinto casas. Corto grama. Limpo piscinas. Trabalho de garçom nas festas dos granfinos. Vivo de bico. Não sou passarinho, mas vivo de bico, morô? 

Ele me alcança um cartão preto e branco feito de folha A4 cortada em pequenos pedaços e diz. 

- Marquetingue, maluco, é a alma do negócio. 

Rio alto, novamente. Menos de três minutos de conversa e o cara, agora com nome, Alceu, já me fez dar duas gargalhadas. Uma figura estranha, mas não é dos chatos. 

Apressado, guardo o cartãozinho preto e branco no bolso. 

- Alceu, a conversa está boa, mas preciso ir, tenho horário. 

- Pode crê, maluco, vai lá. Mas controla a pressa, sangue bom, o mundo gira pra todos. 

Diz ele quase gritando. 

Já caminhando, respondo sem olhar para trás. 

- Tá certo, cara, abraço.



  
Você está sendo enganado

O título soa apelativo e de extremo mau gosto, eu sei. Hesitei por um momento. No entanto, essa foi a primeira coisa que eu aprendi na faculdade. Como assim? Eu estou sendo enganado? Na verdade, é claro que existe informação de qualidade circulando, mas é preciso aprender a separar o joio do trigo. Eu já sentia que havia algo estranho no ar desde a minha adolescência, quando comecei a prestar mais atenção nas letras de algumas músicas. Tanto artistas nacionais como os Titãs, quanto gringos como o Bad Religion, por exemplo, teorizavam sobre assuntos que ninguém abordava no colégio. 

A ferrenha luta pela manutenção da hegemonia econômica e política de determinadas instituições/corporações não segue leis, tratados e, muito menos, algum código de ética. É um jogo de xadrez com movimentos "alternativos". O Rei não anda apenas uma casa em qualquer direção, assim como o Bispo não se move apenas na diagonal, mantendo-se nas casas de mesma cor. Mas o peão, coitado, se resigna a ir em frente, por amor e honra até o momento do abate.

Ao longo da minha jornada acadêmica, conheci algumas figuras-chave da área da comunicação que me fizeram acordar. Pra ser honesto, jogaram um balde de água fria. Dentre elas, posso destacar um sujeito chamado Michael Moore. Esse documentarista norte-americano fez, praticamente sozinho, mais pelo jornalismo investigativo do que quase todos os grandes veículos de comunicação nos últimos quinze anos. E tem pagado um preço altíssimo por mostrar uma face quase oculta da realidade. 

Dividido entre a literatura e o cinema documental, ele ganhou projeção mundial após receber o Oscar por Tiros em Columbine, um ensaio sobre a cultura da violência nos Estados Unidos; e a Palma de Ouro do Festival de Cannes por Fahrenheit 9/11 que analisa os atentados de 11 de setembro e as ligações entre as famílias Bush e Bin Laden. Vale dar uma conferida no restante da filmografia de Moore, em especial, SiCKO (no Brasil S.O.S. Saúde), sobre o sistema de saúde norte-americano e a sórdida indústria farmacêutica.

Quando Moore subiu no palco para receber a sua estatueta, em março de 2003, os EUA estavam em guerra contra o Iraque. Ninguém que estava na cerimônia tinha permissão para falar com a imprensa. Havia o medo de que alguém pudesse falar alguma coisa indigesta sobre a batalha, comprometendo os esforços do governo para "unir a nação". No entanto, o documentarista chamou os outros indicados da categoria para que se juntassem a ele e disse:

"Convidei meus colegas indicados ao Oscar de melhor documentário para subirem ao palco comigo. Eles estão aqui em solidariedade a mim porque gostamos de não ficção. Gostamos de não ficção, embora vivamos tempos de ficção. Vivemos em um tempo em que temos resultados eleitorais fictícios que elegem um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que temos um homem nos mandando para uma guerra por motivos fictícios. Quer seja a ficção da fita vedante ou a ficção dos alertas laranja: somos contra essa guerra, senhor Bush. Tome vergonha, senhor Bush. Tome vergonha na cara. E quando o papa e as Dixie Chicks (trio popular de música country) ficarem contra o senhor, seu tempo terá se esgotado. Muito obrigado."

Logo após o discurso, a caos tomou conta da cerimônia. Alguns aplaudiram, outros tantos vaiaram e houve também aqueles que tentaram agredir o documentarista. Depois daquele dia fatídico, os norte-americanos tinham um novo inimigo a combater.

Você deve estar com algumas dúvidas sobre o conflito. Mas o Iraque tinha armas de destruição em massa? A guerra era legítima, não era?

Bush invadiu o Iraque, um país soberano, de forma ilegal. Posteriormente, George Bush e Tony Blair assumiram que não havia o perigo, mas colocaram a culpa no trabalho dos serviços secretos. No entanto, 70% da população aprovava a intervenção, na época. E aprovava sobretudo porque o New York Times veiculou diversas reportagens de primeira página fictícias a respeito de como Saddam Hussein possuía essas armas. No futuro, o jornal viria a se desculpar por apoiar a guerra. Para o povo, se um jornal liberal diz isso, deve ser verdade. Feito o estrago.

Moore nunca mais teve um dia normal. Começou a sofrer ameaças diariamente através de cartas e telefonemas. Frequentemente, tentavam invadir a sua casa. E sair da residência também era difícil, pois ele e sua família eram hostilizados e agredidos. A partir de então, o documentarista se obrigou a contratar uma equipe de segurança que ficava 24 horas ao seu lado. Além disso, instalou um moderno sistema de câmeras e alarmes na casa.

Tudo isso por que mesmo? Porque queria defender seu ponto de vista. Só por isso. A suposta democracia sendo abalada pelos tiranos ignorantes de cada esquina. E isso serve para o Brasil também. Basta lembrar das manifestações clamando pela volta dos militares. A estupidez não tem fronteiras.

Procure analisar com cuidado o que é noticiado. A desinformação, ou seja, a informação inverídica com o objetivo de induzir ao erro, nos é lançada em lotes substanciais dia após dia. A situação se agravou ainda mais com a popularização das redes sociais. Alguns teóricos afirmam que estamos na Era da Informação. Eu, por outro lado, simpatizo mais com uma corrente minoritária que sugere o contrário: estamos no auge da Era da Desinformação.

Exercite esse poderoso cérebro que você ganhou "de grátis". Confira a fonte. Analise o discurso e as suas sutilezas. Observe os adjetivos empregados. Na televisão e no rádio, preste atenção no tom de voz utilizado, muitas vezes te induzindo a escolher uma determinada posição. Lembre ainda que um veículo de comunicação é uma empresa e, assim como as demais, tem o objetivo de lucrar o máximo possível. E a renda não advém apenas dos espaços publicitários. Como vimos no caso do NYT, uma notícia também pode ser vendida. No entanto, procure não ficar paranoico. Apenas crie o hábito de questionar, pois é nele que reside a base fundamental da liberdade.