O labirinto vivo


O vento anuncia a proximidade de mais uma tempestade de verão com energia e fúria contagiantes. É um vento punk, um punk rock clássico. Para a sacola plástica, só resta se deixar levar praticamente sem resistência em direção ao céu. Quem invejaria uma sacola? Sem rumo, ela facilmente deixa para trás todos aqueles muros que se erguem com milhares de tijolos de motivos. A beleza do vazio, da completa ausência, do nada. Um balé suave por ares agitados. O nada flutuando entre janelas e tentando seduzir em vão os colecionadores de expectativas.

Do alto, talvez eu poderia ver tudo apenas como um pequeno labirinto vivo. Quer se esteja lá no norte ou aqui no sul, parece opressor demais estar na superfície. Daqui é possível grafitar as paredes desse labirinto, alimentar e colorir os sentidos. É possível se exercitar entre o verde programado e ao redor de um lago artificial ou quem sabe trocar algumas palavras com o senhor desconhecido, em busca de um sinal, de uma pista, de uma migalha suficientemente capaz de amenizar essa fome mordaz por um sentido qualquer. 

A chuva passa e refresca os ânimos. Mais uma noite chega, aos poucos as luzes se apagam, e todos se recolhem em suas micro experiências diárias. Sonhos calmos e agitados. O inconsciente berra e depois sussurra. O labirinto está aí? Por que não trapacear? Será que é possível escalar e pular o muro? A vertigem sequestra a coragem e a queda é inevitável. Um segundo antes do baque, o despertar salvador. É bom estar vivo. É um alívio estar vivo. A distância entre o inferno e o paraíso pode ser percorrida durante algumas horas de repouso.

Tantas perspectivas possíveis, mas quantas resistem até a próxima tempestade? "O homem é a criatura que, para afirmar o seu ser e sua diferença, nega", já dizia Camus. Poucos se deixam levar pelo absurdo e negam, negam, negam. São máquinas de negar. Não vivem do absurdo, mas sobrevivem da negação. Até mesmo a paz, que não por acaso quase sempre chega por acidente, logo será refutada. A busca pelo caminho ideal continua, enquanto a velha sacola toca o chão novamente.



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No limbo


Segundo o engenheiro eletrônico, matemático e criptógrafo norte-americano Claude Shannon, autor do livro A teoria matemática da comunicação, "informação é tudo aquilo que reduz a incerteza". Agora me responda: como você se sente no meio desse colossal e crescente emaranhado de conteúdo online? Frustrado e inseguro? Extraviado como chinelo de bêbado? Faceiro como mosca em rolha de xarope?

Esse fluxo ininterrupto e de alta rotação nos faz querer dormir do lado do celular ou mesmo do computador (!), consumindo informação de maneira quase doentia. Monitoramos o que nossos amigos estão fazendo, lemos as notícias da última meia-hora, pesquisamos sobre a dieta do momento e abastecemos o Kindle com mais de duzentos novos livros (não sou hipócrita, falo por experiência própria). Arrisco dizer que consumimos mais informação em apenas um ano do que os nossos bisavós consumiram durante a vida toda! 

Vejamos alguns dados curiosos que circulam pela internet:

Mais de 1.000 novos títulos de livros são editados por dia em todo o mundo. Nesse momento, estão em circulação mais de cem mil revistas científicas. Existem mais de três bilhões de páginas disponíveis na internet. Entre 1986 e 2007, produzimos 296 exabytes de conteúdo. Exabytes? Um exabyte equivale a cerca de um bilhão de gigabytes. Ainda está difícil? Em termos físicos, "esse valor equivale a uma pilha de CDs de 400 metros de diâmetro, capaz de ultrapassar a altura da Lua", de acordo com Martin Hilbert, pesquisador da University of Southern California.

Você pode até me chamar de alarmista ou de lunático, só pra aproveitar o gancho, mas vamos em frente. O excesso de estímulos pode nos empurrar para o limbo. Podemos nos anular completamente. Esse é o problema-chave, o fator número um que me levou a escrever esse artigo. A partir dos anos 2000, começaram a surgir as primeiras pesquisas sobre as consequências do excesso de informação. Os pesquisadores constataram algo interessante e assustador: uma das sequelas do consumo massivo de conteúdo é a dificuldade na tomada de decisão. Desde pequenas decisões diárias até grandes decisões que podem influenciar no curso de vida do indivíduo. Eu demorei uma eternidade para compreender isso plenamente. E o pior: só compreendi quando estive envolvido nessa situação no nível mais hardcore, me sentindo completamente anulado.

Lemos sobre os problemas do capitalismo e nos desestimulamos a empreender de forma criativa, de acordo com os nossas premissas pessoais, pois achamos que nada mais vale a pena; nos empanturramos de notícias sangrentas e nos deprimimos achando que o mundo merece um "reset"; nos sentimos miseráveis porque nossos amigos do Facebook estão curtindo as férias na Europa e a gente não tem grana nem pra ir ver o filme novo do Tarantino; não sabemos mais que cerveja beber porque algumas "podem ser potencialmente cancerígenas"; o nosso prato preferido era saudável e nutritivo, mas agora virou um vilão da alimentação saudável; a arte não flui porque estudamos demais e produzimos de menos e por aí vai... O processo cognitivo relacionado a tomada de decisão se torna caótico, semelhante a uma bola de pinball sendo jogada de um lado para o outro.

Em um nível mais avançado, refletindo a partir de uma perspectiva mais ampla, se adotarmos a premissa de Shannon temos que repensar seriamente a nossa relação com a internet, pois frequentemente escavamos em busca de um Santo Graal do desenvolvimento pessoal, ou seja, de algo que transforme a vida, que resolva todos os problemas, quando na verdade deveríamos buscar simplesmente um pouco de silêncio. Em outras palavras, vemos no Google um oráculo pós-moderno. Basta digitar lá e a mágica acontece. 

Vale ressaltar que eu não tenho uma visão negativa a respeito da tecnologia, em si. Sempre tive uma forte veia autodidata e a internet se tornou a minha escola preferida, seja para aprender a tocar um instrumento musical, aumentar minha bagagem cultural ou até mesmo para discutir e compartilhar técnicas específicas relacionadas ao meu trabalho. No entanto, em alguns momentos, eu exagerei. A internet se tornou a vilã da história. Como não quero que vire um relato do tipo Alcoólicos Anônimos, vou lhe poupar dos detalhes.

E a solução? Filtrar os estímulos externos. Isso deveria se tornar tão vital quanto respirar. Não é por acaso que um dos pilares do budismo é a "atenção plena", ou seja, só é possível se livrar das armadilhas externas e mentais monitorando constantemente os pensamentos assim que eles surgem. Com um pouco de treino, lembrando desse conceito ao acordar, por exemplo, você começa a progredir. Ele vai proteger o seu "sistema operacional", sendo uma espécie de antivírus. 

Devemos compreender também que temos o nosso próprio ritmo e que devemos respeitá-lo. Essa clareza ajuda a evitar outro problema decorrente da overdose de informação: o transtorno de ansiedade. Não temos a obrigação de estar sempre antenados. Surfar todas as novas ondas não necessariamente nos deixa um passo a frente em relação aos demais. Não é fácil, pois somos atraídos pelo fluxo e detestamos "estar por fora". Contudo, podemos sair do piloto automático, evitando gravitar totalmente anulados e sem rumo pelo limbo. Basta um pouco de sobriedade e temperança.




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A crise migratória na Europa e suas razões



O drama atual dos refugiados que chegam à Europa é um reflexo direto da crise política que vivem diversos países do Oriente Médio e do Norte da África nos últimos anos. No centro do furacão estão Síria e o Iraque, pois é lá que grupos extremistas, como o Estado Islâmico, juntamente com outras organizações similares à Al-Qaeda, espalham o terror. Ganhando território e impondo, por meio da violência, o seu retrógrado sistema de Califado, idealizado pelos extremistas como solução (teocrática!) contra qualquer outra forma de governo, o Estado Islâmico avança, deixando para trás um rastro de sangue e de atrocidades quase inacreditáveis. Na lista destas ações estão a destruição dos templos de Bel e Baal-Shamin, em Palmira (considerados patrimônio da humanidade), de dezenas de relíquias arqueológicas milenares no Iraque, além da execução de mais de 1.500 prisioneiros. "Podemos confirmar a destruição do principal prédio do templo de Bel, além de várias colunas em suas imediações", informou o Instituto das Nações Unidas para Formação Profissional e Pesquisas (UNITAR), segundo reportagem publicada no site G1, no dia 1° de setembro. Mas, nem tudo é o que parece, pois a devastação deliberada dos sítios arqueológicos não é apenas motivada pela fé cega (fim da idolatria), mas serve de fachada para o roubo e o comercio ilegal dos “espólios de guerra” no mercado negro de Londres.

Como se não fossem suficientes as decapitações, crucificações e queima de seres humanos vivos, tudo gravado e divulgado com requintes de crueldade, o grupo extremista muçulmano Estado Islâmico, tem participação indireta na morte de mais 100.000 pessoas na Síria. Desde o inicio dos conflitos, em 2011, para a derrubada do regime de Bashar al-Assad, o país mergulhou em uma guerra civil sem previsão de término. Motivada pela irredutibilidade do presidente de um lado e pelo ódio dos grupos religiosos sunitas e de oposição de outro, a guerra vitima principalmente civis, somando mais de 240.000 mortes. Mas o horror não se restringe apenas ao Iraque e a Síria. De acordo com o jornal O Globo, são nove guerras civis acontecendo nos países islâmicos, desde o Paquistão até a Nigéria. Até agora, ainda conforme o periódico, foram mais de 11 milhões de sírios a abandonarem suas casas, sendo que deste total, aproximadamente 4 milhões refugiaram-se em países vizinhos. Turquia, Líbano, Jordânia, Iêmen, Líbia, Somália, todos países considerados “falidos”. Falidos hoje, pois já abrigaram milhares de refugiados no início dos conflitos, com exceção da Somália. Falidos por que sofrem com as guerras internas, sendo fendidos de ponta a ponta por gangues de criminosos, protegidos principalmente sob a bandeira do extremismo religioso.

Estes grupos, que agem de forma muito parecida entre si, vêm sendo financiados por banqueiros internacionais escusos, que jamais assumem suas ações sob a luz do dia e assistem ao Oriente Médio e ao Norte da Africa se desintegrarem na segurança de suas fortalezas no coração da Europa. Mas esta é a intenção. Absurdamente ricos, eles jamais serão afetados pela crise migratória. E, através dos extremistas, eles já conseguiram alterar significativamente a geopolítica da região. Mas ainda não terminaram. Nomes como Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Shan, Boko Haram, Al-Qaeda e o infame Estado Islâmico, tornaram-se famosos no mundo pelo fanatismo e disposição para o cometimento de crimes inenarráveis, assim como pela intenção de propagar a violenta imagem do Islã sunita para o resto do planeta. Se uma solução (mesmo que radical), não for encontrada em breve, os perigosos objetivos destes personagens irão, inevitavelmente, se consolidar. Se isso acontecer, conflitos ainda maiores poderão agravar dramaticamente a crise migratória, com consequências nefastas não apenas para o continente europeu. 

Se a intenção é fomentar a crise, é por que quem opera o caos a partir das sombras pretende se beneficiar ao pescar em águas turvas. O resultado disso é o que temos visto acontecer na Europa. Uma fuga em massa de cidadãos que clamam por uma chance de viver com dignidade, longe dos sequestros, estupros, linchamentos, decapitações, bombardeios e horrores promovidos pelos grupos guerrilheiros e pelos próprios governos. Cidadãos já sem pátria que, antes de tudo, são seres humanos, arriscando a vida ao atravessar o Mar Mediterrâneo em barcos precários e superlotados, buscando um acolhimento que existe somente em suas esperanças mais sinceras. Refugiados que, no afã de cruzar a linha cruel entre o terror da guerra e um futuro menos incerto, são recebidos a chutes e pontapés, como vimos na imprensa mundial, há poucos dias, quando uma cinegrafista húngara agrediu despropositadamente crianças e pessoas de idade que tentavam escapar das autoridades. Provavelmente uma representante da extrema direita europeia e de suas politicas xenofóbicas.

Onze milhões de sírios estão se espalhando pela Europa e Oriente Médio neste exato momento. Dois milhões e meio de iraquianos abandonaram seu país e estão tendo o mesmo destino. Cento e quinze mil refugiados, somente neste ano, percorreram mais de 1700 quilômetros da Costa da Líbia até a Itália, sem contar os milhares que tiveram o sonho interrompido ao afogarem-se no mar. No ano passado foram 112 mil a percorrerem o mesmo caminho. Mais de 1,5 milhão de cidadãos do Sudão do Sul abandoaram suas terras desde 2013. Hoje o número de pessoas que tenta chegar à Grécia pelo Mediterrâneo cresceu de 45 mil para 239 mil! Um aumento de quase 500%. A Alemanha começa a dar um bom exemplo ao resto do mundo afirmando que receberá até 800 mil refugiados em seu território. Um bom sinal, mas a iniciativa esconde outros objetivos por trás da hospitalidade, entre eles a necessidade crescente de mão de obra barata. A esta altura a foto do menino sírio Alan Kurdi, encontrado morto na praia de Ali Hoca, em Bodrum, na Turquia é apenas um pálido reflexo do que realmente está ocorrendo. A imagem que fica, para que possamos refletir e tomar nossas próprias conclusões, são as cenas de violência na fronteira da Sérvia com a Hungria (que deixaram dezenas de feridos dos dois lados, incluindo crianças), em que centenas de refugiados foram recebidos com bombas de gás lacrimogênio e jatos d’água. Eles nem sequer pretendiam ficar no país, queriam apenas cruzar a fronteira em busca de uma vida um pouco mais digna no continente europeu.



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O retronauta


Tínhamos apenas um plano A ruidoso e enérgico que vibrava em nossas almas. Condensávamos o eterno de mãos dadas com a morte. Confortavelmente alheios aos sinais. Confortavelmente alheios aos olhares. Tínhamos um sentido claro, porém indizível e isso bastava. Estávamos conectados por um tipo de amor primitivo. Precisávamos uns dos outros mesmo que nunca falássemos sobre isso. Vivíamos plenamente e sequer suspeitávamos.

A linguagem jamais será suficiente para traduzir certos momentos e percebo o quanto me limitei desde então. Todas as experiências devem ser traduzidas? Corro o risco de colocar as palavras erradas e reduzir o que vivi a uma narrativa pálida ou maquiada. Contudo, em algum lugar da minha mente existe um pescador tenaz que não vai desistir de fisgar memórias e depois contar tudo à sua maneira, quer se acredite ou não.

Mesmo a milhares de quilômetros de distância, eu tenho certeza de que poderia ouvir os ecos vindos daquela cidade. Algo mágico ressoa por lá entre o passado e o futuro. Será que aquela frequência extraordinária ainda pode ser sintonizada? Quem ainda dança no porão dos sonhos? O que será possível encontrar além de mofo e cacos de sábados perfeitos? Sempre subestimei o poder das lembranças e agora percebo que estou realmente em apuros.

A força do agora me faz avançar enlouquecidamente. Às vezes tenho que sair correndo e pegar o que dá. Quantas coisas já ficaram pelo caminho. "É preciso entender o fluxo, a correnteza". Não, mas eu preciso voltar pra compreender o que perdi. Fui crescendo e me encolhendo no útero apertado de uma consciência precoce. Minha inocência ficou em algum lugar entre a casa da vó e quadra de futebol do colégio velho. Recolheram os meus jogos e mudaram minha cama de lugar. Minha tia pegou o seu violão de volta. Esvaziaram os meus bolsos e me deram um diploma. Enchi minhas estantes de frivolidades. Os amigos partiram. Ou será que fomos todos sorrateiramente levados? Mas não estávamos sempre de mãos dadas com o livre arbítrio?

Quero tirar essa história a limpo, mas minha cabeça não ajuda.  Vou ter que apelar pra malandragem. Farei um relógio que gira ao contrário e uma nave "especial". Serei um retronauta. Já tenho um capacete e uma rota pra desbravar a imensidão desse espaço misterioso. Só preciso entender ou quem sabe desentender um pouco mais. Aquele pequeno ponto luminoso ainda está lá.




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The end, madrugada



O fino feixe de luz marca o horizonte. Lembra ferro incandescente ou o fundo de uma garrafa de uísque quase vazia vista contra a luz. Luz é o que mais vejo nesse momento... 

“Faróis de carros. Postes na rua. A eletricidade destaca tudo. Vitrines com manequins de olhar estático. Calçadas com pessoas de olhar elétrico. Copos, goles, celulares. As placas de PARE mandam, por todos os cantos da cidade, fim de festa. 

A pressa de viver deixou espalhados pelo chão centenas de copos descartáveis. Algumas pessoas, sem querer, imitam o destino dos copos descartáveis. Uns em pé, meio cheios meio vazios. Outros pisoteados, partidos, com algum resto de líquido ou amor próprio. A noite é mesmo cruel com copos e pessoas frágeis. 

De pés descalços e vestido de um comprimento que quase revela a intimidade, - escreve buceta e deixa de ser puritano - uma menina chora sentada no cordão da calçada. Se olhássemos de perto, veríamos as lágrimas carregando a maquiagem até as maçãs do rosto. A sombra mistura preto com o tom rosado da pele. Aquarela? Tinta a óleo? Que tipo de moldura? A cena daria um bom quadro. 

Dramático, um homem chega ao seu lado e nem repara no choro. Hipnotizado pelas latas de alumínio que circulam a moça ele solta fumaça pelo canto da boca e cata uma a uma. A demonstração de felicidade é cinza e vem dos pulmões. O alumínio vai virar níquel. O níquel vai virar pão, cachaça ou fumo. Se der para os três, que sorte a dele. Cães o acompanham. Por um momento o catador lembra um nômade do século 21. Como na idade da pedra, caçador coletor. Hoje, de rua em rua, indiferente aos sinais de Wi Fi, ele procura onde a “lata” é mais abundante. 

Outros cães compõem o mesmo ambiente, machos e fêmeas, vestem roupas de grife. Trazem nos pulsos o tempo em ponteiros caros e fitas coloridas. Falam alto. Riem da moça sentada no cordão, do catador, e deles mesmos. O reflexo no vidro dos carros causa graça. Registram os momentos. Apelam e mostram a fé em Jesus Selfie. Distorcidos, tontos pelo álcool, se escoram na parede e na posição social. Pensam estar por cima e a falsa ideia de superioridade lhes deixa cegos. As fitas nos pulsos, - aquelas que diferenciam as pessoas nas festas – já não têm a mesma serventia, agora, parece que a única utilidade é indicar o que é esquerda e direita. Coitados de nós, brasileiros, que ainda precisamos de muitas fitas coloridas nos pulsos. 

Na outra calçada surge uma mulher vestida totalmente de branco. A lenda urbana seria confirmada, não fosse por ela carregar uma bolsa, um jaleco e um guarda-chuva. A cor da roupa e o coque no cabelo denunciam, ela vai cuidar da saúde dos outros. Assombrada, cara de sono, segue caminhando e olhando para o conjunto de cenas em frente ao último bar aberto. A moça que chora, o catador e seus cães, os cães com pulseira VIP. 

Na cabeça da mulher de branco é como se fosse um filme assistido pela metade, alguém que dormiu e acordou nos minutos finais. O sol já está transformando preto em azul.” 

...Fechei o cantinho da minha cortina. “Viver é um transitório e terrível estado de graça.” The End, madrugada.


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Nós somos a resistência


Depois de um breve período ausente, estou de volta. Os compromissos de trabalho e os imprevistos da vida me tiraram de campo por um tempo, mas a vontade de compartilhar experiências sempre se manteve intacta!

Lendo a recente biografia do Guga (Guga, um brasileiro), comecei a ter lampejos de consciência acerca da minha própria caminhada. Acredito que seja algo natural entre os amantes da literatura. A gente se deixar levar pelas histórias e, sobretudo, se identifica em maior ou menor grau com determinadas passagens, dependendo do nosso contexto.

Lá pelas tantas, o Guga fala sobre como é estar no topo, ser o número 1 do mundo no tênis. A princípio, nenhuma grande novidade: é preciso conviver com a enorme pressão dele próprio para ser cada vez melhor, além de saber lidar com o assédio da imprensa e dos fãs, acostumados com os repetidos sucessos do Brasil em outras modalidades mais populares (na época, futebol e F1). No entanto, ele continua a sua reflexão e toca num assunto interessante:

"No tênis, além do meu pai e do Larri, até os meus 20 anos, ninguém esperava que eu fosse me tornar o maior tenista do planeta. Mesmo eu tinha extrema dificuldade para me convencer disso. No Brasil, de maneira geral, convivemos com o hábito de depreciar nossa capacidade e nossos valores. Cresci envolvido nesse contexto [...]"

Infelizmente, foi assim comigo e talvez com você também. Não sei exatamente quando começou a circular essa espécie de "vírus da alma" que tantos males vem causando ao longo dos anos. Olha, é algo digno de estudo acadêmico. Confesso que ainda não estou plenamente curado, mas tenho fé que falta pouco.

Até por volta de 2010, no meu caso, eu seguia na base da encenação. As minhas convicções eram cambaleantes e os resultados dos meus esforços só enganavam os menos atentos. Eu fazia um vídeo pra faculdade e "poutz, alguma coisa não tá legal"; criava algumas músicas em casa (minha paixão eterna) e parecia que batia na trave; no trabalho, me empenhava até o limite do possível e não via quase nenhum progresso. Eu vivia numa inconsistência constrangedora e não via uma saída sequer. Na época, eu conversei a respeito disso com a minha família e até cogitei mudar de curso ou trancar a faculdade pra dar uma espairecida. Com a incentivo deles ganhei fôlego e decidi continuar, mas ainda sentia aquela fragilidade emocional. 

Começou um novo semestre e surgiram as primeiras figuras-chave da minha vida. Comecei uma disciplina chamada "Elementos de linguagem musical" com um professor que era novo na área. Era um figurão! O professor Gerson era conversador, agitado e com uma energia incrível. O que mais chamava a atenção nele, contudo, era a sua capacidade de simplificar e "destravar" as coisas. Nada era impossível. Seja lá qual fosse a maluquice que se tinha em mente, ele dava um jeito de operar. Criamos curtas (a minha história mais bizarra no curso envolve um desses pequenos filmes), uma radionovela e alguns projetos paralelos. A própria trajetória de vida do Gerson mostrava que ele tinha descoberto uma forma de se curar do tal vírus e queria compartilhar isso. Ele havia começado a cursar música numa universidade federal com 27 anos - relativamente tarde para os nossos padrões e mais ainda para algo de alto nível. Não é absurdo, mas exige um baita empenho. Mas ele foi lá e deu um jeito. Além de professor universitário, era produtor musical e já vinha sendo reconhecido por trabalhar com áudio para filmes.

Eu sentia que o clima estava mudando e decidi arriscar mais. Passei a botar no papel todas as ideias que pintavam na mente. Também me escalei pra criar o tema musical da radionovela que depois foi elogiado pelo professor e pelos colegas. No futuro, aquele sopro de incentivo seria o suficiente pra que eu criasse um disco inteiro no meu próprio quarto e viesse a realizar um dos maiores sonhos da minha vida: ter uma música minha tocando na rádio! Que mudança. Lembro também que ele foi o primeiro a insistir na ideia de que a gente deveria valorizar mais os nossos trabalhos e inscrevê-los nas mostras competitivas de cinema. Até poucos meses atrás, eu não queria mostrar nada nem pra minha mãe e agora estávamos mandando nossos filmes pro Brasil inteiro. 

E não é que o sujeito tinha razão nisso também? Alguns colegas começaram a ser premiados aqui e ali. O ambiente ficou mais competitivo. Nem parecia mais o mesmo curso. Era o nosso momento. Beliscamos algumas mostras competitivas e ganhamos confiança. Em 2012, no ano em que lancei meu disquinho, também encerrei a minha graduação levando um prêmio importante com meu trabalho de conclusão, um curta-metragem chamado "Dia da verdade". Nesse período fui orientado pelo professor Jair, outra figura importante e incentivadora, que sabia extrair 101% dos alunos nos momentos mais decisivos! De um modo geral, foi inacreditável a mudança que ocorreu em apenas dois anos. 

Saímos do ambiente acadêmico e encaramos a realidade brutal do mercado de trabalho. Muitos ficaram pelo caminho. Por vezes, as coisas demoram um pouco para engrenar, dependem de uma série de fatores além da nossa vontade e se torna uma parada duríssima manter o planejamento. No entanto, muitos também estão em empregos bacanas ou com seus próprios negócios e projetos. A verdade é que se você tem força de vontade suficiente pra se curar desse vírus (também conhecido historicamente como "complexo de vira-lata", forma pela qual o Nelson Rodrigues se referiu ao fenômeno) você vai vencer, cedo ou tarde. 

Oscilaremos, assim como os nossos ídolos oscilaram por diversas vezes. Faz parte da jornada, somos de carne e osso. Aos poucos também teremos a clareza sobre a efemeridade das conquistas pessoais. A impermanência vai nos dar uma outra perspectiva. Porém, a crença nos nossos valores deve ser inabalável. Jamais podemos baixar a guarda. Temos infinitas possibilidades de nos reinventarmos, de criarmos um contexto mais positivo para as pessoas do nosso círculo social. Nós somos a resistência! 



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Como você edita o que vê?


Quando comecei a gravar e editar vídeos, há oito anos atrás, eu apenas fazia tudo de modo muito técnico, deixando passar muitas experiências. A estética falava mais alto e o conteúdo bruto era pouco lapidado ou então era lapidado com base na rigidez do formato estético que se buscava. Aos poucos, fui buscando um equilíbrio nesse sentido.

Iniciei o dia editando um novo documentário e, mais uma vez, fico emocionado com os fragmentos de história que tenho a oportunidade de conhecer. Penso que se estivermos realmente em sintonia com aquilo que fazemos e com a realidade que nos rodeia, teremos acesso a alguns tesouros. Diz o coach que só passamos a enriquecer materialmente de fato quando passamos a entender e resolver os problemas dos outros. Em meio a selvageria do meio empresarial, não deixa de ser uma constatação sábia. De modo espiritual ou pelo viés da sabedoria, acredito que enriquecemos quando temos a capacidade de entender a trajetória e a intrincada complexidade de cada ser humano. Só compartilhamos experiências (as riquezas fundamentais) quando estamos conectados com o outro de alguma forma. Se não houver empatia, a relação se desenvolve como um rádio que só emite chiados e informações que não são captadas plenamente. Um simples ajuste de configuração pode melhorar tudo. 

Ao editar uma entrevista, conheci a história de um professor que teve que lutar para conseguir construir uma escola na comunidade na qual morava, isso lá na década de 40. Depois de pronta, a escola não tinha livros e a estrutura era bem precária, mas ele não mediu esforços para ensinar as crianças. Cabe salientar ainda, que ele e seus familiares tiveram que lutar para chegar com vida até o local em que iriam se estabelecer. Passaram semanas na estrada, viajando de carroças com a mudança por estradas enlameadas e diante de um clima intensamente chuvoso. Como se não bastasse, a comida começou a ficar escassa e era preciso abrir estrada no meio do mato para seguir viagem num determinado momento. Ao chegar, tinha início um novo desafio: construir moradias, plantações e tudo o que era necessário para que a pequena vila prosperasse. Eram outros tempos. Enquanto eu tomava conhecimento daquela incrível odisseia, fiquei me perguntando quantos teriam coragem hoje em dia de fazer aquilo tudo? 

Atualmente, dispomos de um arsenal de desculpas para continuar na mediocridade. É o governo, é o tempo, é a saúde, é o medo, é o azar, é o capeta, é a falta de dinheiro e é tudo junto somado a alguma coisa que não conseguimos nomear... Mas que interfere, interfere. "Meu Deus do céu, é tudo tão complicaaaado". Talvez, tenhamos nos perdido na vastidão de um vazio de significado. Foi essa epifania, aliás, que levou Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, a desenvolver a Logoterapia enquanto estava vivendo dias terríveis preso num campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Foi roubando papéis de um escritório do campo que ele esboçou o seu livro "Em busca de sentido", que explora o sentido existencial/espiritual do indivíduo. O que nos mantém vivos? Para ele, basta um forte significado para viver. Um objetivo claro pelo qual lutar, em outras palavras. No caso de Frankl na época, o objetivo era simplesmente escapar com vida (o que de fato aconteceu quando as tropas americanas libertaram o local). Para os desbravadores que entrevistamos para o documentário, talvez seja dar condições de vida melhores para os filhos e netos.

De acordo com alguns psicólogos, esse imenso vazio pode ser considerado como o fator determinante para a depressão e, inclusive, para casos de suicídio. A depressão já é a doença mais incapacitante, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Se trata de uma crise global e que infelizmente continua crescendo de maneira alarmante. Comentei com a minha equipe de trabalho o quanto esses depoimentos que foram captados estavam impactando positivamente a minha vida. A diretora do projeto sorriu e me disse que era a "Catavento terapia" (Catavento é o nome da empresa para a qual eu presto serviço). Brincadeiras à parte, era realmente isso mesmo. Ao me sintonizar com aquelas pessoas, eu estava encaixando peças importantes do meu quebra-cabeças. Passei a entender o que estava mudando de uma geração para a outra e como eu me via em relação aos meus antepassados.

Já em casa, entre goles de café e no conforto de um condomínio fechado - fechado para o externo e fechado também para o próprio interno, entre trincheiras numeradas, olhos mágicos e regras frias de convivência pregadas no elevador - consigo refletir com uma dose ácida de clareza. Penso que estamos cada vez mais distantes de um sentido de comunidade e, pior, estamos distantes de nós mesmos. Muitas vezes não estamos sequer dispostos a iniciar uma revolução interior, visando uma melhor qualidade de vida. Não conseguimos nos motivar para que possamos evoluir e assim, consequentemente, não conseguimos ajudar ninguém, nem minimamente. Como você edita o que vê? Como você estrutura a realidade em que vive?



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Nós somos patéticos


Embora sejam muitas as coisas más deste mundo, a pior dentre todas é a sociedade.
Arthur Schopenhauer


Dizem que o cérebro humano é um dos órgãos que mais consome calorias. Talvez por isso, exista tanta gente apelando para os regimes. Consumir notícias enlatadas, cheias de conservantes de poder, impregnadas de realçadores de interesses, prejudica a saúde mental. 

Em contrapartida, indignar-se é uma das melhores coisas que pode acontecer com o ser humano. Tento me manter indignado com tudo que julgo estar errado no mundo. Quanta inocência a minha. Muita coisa passa despercebida. Não obtenho sucesso. Só o teria se fosse cego, surdo e mudo. Um vegetal, talvez. Obtendo o sucesso pela total falta de consciência. 

Quinta-Feira, 02 de Abril de 2015. Sou atingido por uma notícia que embrulha o estômago. 

No Quénia, extremo Leste da África, terroristas islamitas shebab, oriundos da Somália e vinculados à Al-Qaeda, invadiram durante a madrugada a Universidade de Garissa e mataram 148 pessoas, em sua maioria estudantes, além de deixarem outras tantas feridas. Inicialmente, a barbárie foi indiscriminada, depois, os invasores separavam as possíveis vítimas entre muçulmanos e não muçulmanos. Aqueles que não sabiam alguma oração muçulmana tornavam-se vítimas instantaneamente.

Esse fato isolado, já é motivo para dar um desarranjo em qualquer observador atento, porém a segunda torção intestinal é desencadeada pela forma com que os principais meios de comunicação brasileiros trataram a tragédia. Replicando a mesma forma fria de cobertura que as agências de notícias mundiais fizeram.

O tempo de exibição, composto por cortes imprecisos na edição das imagens, não durou mais do que dois minutos. Nada de câmera lenta e repórter descrevendo as cenas. Não lembrou nem um pouco o drama midiático dado ao ataque à redação do jornal satírico Francês Charlie Hebdo, em 07 de janeiro desse ano, que resultou em 12 mortos, entre cartunistas, funcionários do jornal, seguranças e policiais. 

Não estou querendo dizer com isso que a gravidade dos ataques possa ser colocada numa balança apenas pelo tempo que a mídia destinou a eles, mas, se a maioria das pessoas que está na frente da televisão, - e falo especificamente dela, estiver consumindo as notícias sem mastigar direito, o efeito é justamente esse. O ataque à redação do jornal francês dará a impressão de ser muito mais grave do que o atentado à Universidade queniana. 

Em decorrência do atentado em Paris, a frase “je suis Charlie” (eu sou Charlie) fez eco em grande parte do mundo, principalmente no civilizadíssimo e evoluído mundo ocidental. Líderes mundiais se uniram, artificialmente, caminhando nas ruas de Paris, para demonstrar repúdio aos atos terroristas em solo francês. Nas palavras de Slavoj Zizek, filósofo, teórico crítico e cientista social esloveno, é a mais pura imagem da falsidade hipócrita mundial. A imagem de líderes mundiais que caminham de mãos dadas enquanto, nos bastidores, enfiam facas uns nas costas dos outros.

Agora, nesse recente atentado no Quénia. - Quénia? Mas onde fica o Quênia? 148 pessoas assassinadas sob um superficial pretexto religioso, - pois há outros contornos (econômicos e geopolíticos) nesses ataques, e quem realmente digeriu o assunto por inteiro? Quem, numa semana marcada pelo consumo de chocolates e peixes, realmente deu-se conta que estávamos vendo mais uma demonstração de como a informação pode ser maquiada, para parecer mais ou menos aterradora? 

Existem dois pesos e duas medidas quando atentados terroristas são cometidos em países ricos e países pobres? Colocando no mesmo patamar os dois massacres, evitará que caiam no esquecimento daqui uma ou duas semanas? E, melhor, evitará novos atentados mais ou menos solidariedade mundial?

Mais enjoado fico, quando noto que a atenção da mídia brasileira equilibrou duas reportagens, colocando-as no mesmo nível, o descontrole emocional de um jogador de futebol que abandonou a partida, numa cena teatral em que atira a camiseta do time no chão enquanto a torcida o vaia, com a “cobertura” do atentado à Universidade Queniana. 

– Que horror! 

– O terrorismo no mundo? 

– Não, a falta de amor à camisa desses jogadores de hoje em dia. 

Volto à realidade, com a prova de que o direcionamento midiático é tão forte, que dediquei mais linhas escrevendo sobre a hipocrisia da solidariedade mundial à França, em detrimento ao massacre no Quénia. Falta-nos memória, atenção e senso crítico. “Nous sommes pathétique.” Pluralizando e traduzindo amplamente: nós somos patéticos.



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Série Despertar: Por trás das cortinas do cenário global (parte 1)



“E quando o medo estourar seus fogos no horizonte,
O Velho Ser de novo bate à sua porta...
- ‘Não o deixe entrar,
Ele não faz parte da gente!’ – a voz de um lado gritou.
- ‘Não... Isso não tem cara de dia que,
antes das duas horas, não vai chover... Não com estes trovões...
Eles vão se esvaindo sobre nossas cabeças...
Como um tormento se distanciando.’ – respondeu uma segunda voz”


As poucas linhas acima são o suficiente para remeter o leitor a um cenário dúbio e paranoico em que vive um possível personagem, protagonista do conflito interno ali descrito. Vendo-o, de certo modo, acuado pelo medo, somos capazes de visualizar a paranoia e a insegurança como substâncias principais do enredo. Se simplesmente acrescentássemos ao final das linhas acima a frase: “Logo depois as nuvens devem sumir e então poderemos olhar para o lado e ver tudo claro novamente!” Nossa impressão do cenário já se moldaria de uma maneira diferente, pois nos livraríamos da angústia em relação ao sofrimento do nosso protagonista imaginário. O alívio que sentimos quando passamos a saber que o personagem em questão possui perspectivas de sair do limbo em que está é o resultado de nos tornarmos conscientes da existência de uma realidade mais favorável ao alcance das mãos dele. 

Para contribuir com a série Regidos pelo Medo, publicada aqui, resolvi abordar a questão sob uma ótica mais abrangente do que a minha relação com este sentimento que, sem dúvidas, é algo que todos conhecem muito bem. A intenção é começar a desvendar, ou pelo menos lançar alguma luz, sobre os mecanismos que funcionam por trás das cortinas do cenário global. Mecanismos que, usando o medo e a paranoia como matéria prima, constroem silenciosamente um império financeiro e político que não visa o bem o estar, liberdade ou qualidade de vida da imensa maioria da população do nosso planeta. Além disso, esses mecanismo servem como pano de fundo para que se perpetue uma espécie de “doutrina do medo”, instituída em nossas educações por séculos a fio. A intenção é também lançar um olhar na direção do passado e procurar entender que, desde muito cedo, essa doutrina jamais lhe permite tornar-se consciente de o que realmente significa ser um ser humano! 

O medo, sem duvida, é uma espécie de “força-paralisante”. Ele paralisa. Trava. Tranca. Emperra. O medo dissemina, nos casos mais extremos, pavor e desespero. Pânico. Manter alguém, seja um ser humano, uma comunidade ou até mesmo países inteiros, acuados, controlados sob diferentes formas de medo, torna-os mais facilmente manipuláveis. Em determinados casos o pavor é tamanho que pessoas são capazes de aceitar o sofrimento e se submeter a qualquer coisa para evitar que seus temores se tornem realidade. O medo, em suas mais variadas manifestações, é explorado avidamente pela indústria cinematográfica, por exemplo. Personagens “paralisados de medo”, “aterrorizados” ou simplesmente “desesperados” são um prato cheio para o público que, particularmente, se diverte sentindo medo. Quem não apavora-se ao ver Regan tendo convulsões e se retorcendo quando está sendo possuída pelo demônio no filme “O exorcista”, de 1973? E isso é apenas o começo. O menu para quem quer arrepiar-se na frente da tela é interminável. Poderíamos fazer uma relação considerável de filmes aterrorizantes que o cinema produziu, mas a proposta aqui é outra. Ok, vamos aos fatos. 

Duvidar da existência de grupos altamente organizados que manipulam os cenários políticos e econômicos internacionais, executando uma agenda que não pode ser divulgada na imprensa, é um ledo engano. Por outro lado é preciso procurar a verdade por trás da cortina de mentiras e boatos que circulam pela rede quando o assunto são as sociedades secretas, os grupos detentores do poderio financeiro global e os manipuladores ocultos da religião e das figuras e politicas internacionais. Isso sem falar no infame “Sistema de Reservas Fracionarias”, utilizado pela maioria dos bancos no mundo todo. 

Ora, o que você sente quando descobre a influência e o tipo de operações de entidades como a Aliança Trilateral e o Clube dos Bildenbergs? O Bohemians Club ou a Ordem dos Skull and Bones? O Fundo Monetário Internacional? O Banco Mundial? A Reserva Federal Americana? Sim, essas e mais um apanhado enorme de siglas, que representam organizações conectadas entre si por uma rede de segredos e interesses comuns. São, na verdade, várias cabeças de um mesmo monstro que age nas sombras, sem tornar publico seus verdadeiros objetivos. Você pode começar a se perguntar agora. A perguntar-se o que vai sentir, ou que sentiu quando tomou conhecimento da atuação destas organizações, caso já as conheça. Pois vou lhe dizer, meu caro leitor... Medo. Medo é a resposta. Vamos fazer um apanhado geral, começando pela Ordem dos Skull and Bones, para corroborar as ideias expostas aqui. 

Esta organização obscura foi fundada em 1832, por William Huntington Russel, proprietário então de uma empresa de transportes chamada Russel Co. que era, na época, conhecida por traficar enormes quantidades de ópio para China, no período das guerras do ópio. O nome “Skull and Bones”, traduzindo para o português, significa “caveira e ossos” e está associado por pesquisadores ao costume de utilizar caveiras humanas e símbolos contendo crânios e ossos em seus estabelecimentos. Além disso, estudiosos em geral, apontam que essa característica tem relação com a possível influência recebida por Huntington da Ordem dos Illuminati, no período em que viveu na Alemanha. Mais de vinte anos depois, em 1856, a ordem ganhou o direito de construir uma casa matriz no campus universitário de Yale, em New Haven, Connecticut, Estados Unidos. Um enorme prédio de pedra e sem janelas, com três andares e estrutura interna labiríntica, repleto de câmaras e salas secretas foi erguido e ainda está lá. Verificar a veracidade destas informações é bastante simples para quem procura formar opinião baseado em fatos e não boatos. A sede da ordem existe até hoje e é chamada por seus integrantes de “O Túmulo”. 

Os detalhes assustadores desta organização são muitos, um deles é a simpatia de seu fundador, e também de seus membros, pela extrema direita. Em sua sede em New Haven, de acordo com o livro da jornalista americana Alexandra Robbins, “Secrets of the Tomb: Skull and Bones, the Ivy League, and the Hidden Paths of Power”, que é licenciada em Yale, a ordem possui uma valiosa coleção de artefatos nazistas, incluindo (pasmem!) a utilização da prataria pessoal de Hitler em suas reuniões! Nas suas fileiras podemos encontrar três ex-presidentes dos Estados Unidos: George H. Bush, o pai de George W. Bush, ambos membros da ordem e ex-presidentes dos Estados Unidos e William Taft. Para ilustrar melhor as conexões, vale lembrar que Prescot Sheldon Bush, avô de George W. Bush, em 1930, era presidente da Union Banking Corporation e mantinha relações estreitas, além de negócios lucrativos, com Fritz Thyssen, um magnata alemão do ferro que abastecia a máquina de guerra alemã. Em função do agravamento dos conflitos e da ameaça nazista se tornar cada vez mais real o presidente Truman encerrou as atividades da Union Banking Corporation durante a segunda guerra mundial, acusando-os de beneficiar o inimigo fazendo negócios com os nazistas. No rol de presidentes da U. B. C. estão uma série de integrantes da Skull and Bones. O Próprio Prescot era um membro da organização. Mas não para por ai o envolvimento de integrantes da ordem com os nazistas durante a segunda guerra mundial. Contudo, não vamos nos ater apenas na identificação do grupo com os nazis. De acordo com alguns pesquisadores há fortes indícios de que a Skull and Bones está conectada com outras importantes sociedades secretas instaladas na Europa e Américas e de que compartilhe rituais e atividades ocultistas que envolvem altíssimo grau de secretismo. Trata-se de um pequeno clube de representantes de famílias muito, mas muito ricas que agem como titeriteiros, puxando os cordéis do poder americano por trás da cena e espraiando seus tentáculos por todo o mundo. Um exemplo disso foi a eleição presidencial americana de 2004, quando tanto George W. Bush, candidato republicano, quanto o democrata John Kerry, seu adversário nas urnas, eram integrantes desta obscura organização. São intelectuais, magnatas da indústria e da mídia, políticos nas mais altas posições, senadores, congressistas, juízes, diretores da CIA, presidentes e diretores de bancos e da Reserva Federal que juraram fidelidade aos mesmo ideais secretos, comungados pela ordem. Por trás da cortina de fumaça é possível detectar uma organização que, não apenas pela perspectiva de lucros incomensuráveis, tem por objetivo controlar e manipular a humanidade através da guerra, da fome e das doenças. Aqui procurei fazer um resumo extremamente sucinto desta organização, mas não será difícil comprovar essas intenções quando você pesquisar mais dados sobre o assunto. Não é arriscado dizer que outra prova destas intenções funestas foi o escândalo do Banco de Comercio e Crédito Internacional, no final dos anos 80. 

De outro lado, intimamente conectado com os Skull and Bones e diversas outras ordens e organizações secretas, está o Bohemian Club. Fundado em 1872, trata-se um clube composto, talvez, pela verdadeira elite do planeta. Com taxas anuais e de iniciação de milhares de dólares, a sede do clube fica em São Francisco, Califórnia, mas suas atividades obscuras acontecem principalmente no Bohemian Grove, no município de Sonoma, um bosque de sequoias com mais de 2.700 ha, em Monte Rio, também na Califórnia. Presidentes de vários países, governadores, gigantes da mídia, líderes de mega-corporações predadoras e da indústria e banqueiros internacionais chegam a ficar na lista de espera para participar do clube por até vinte anos! 

O Bohemian clube é composto, por assim dizer, pelos verdadeiros “reis estabelecidos”, como afirmou Alex Jones, em documentário independente, Dark Secrets Inside the Bohemian Grove, produzido no ano 2000 no qual se infiltrou, com uma equipe de cinegrafistas, no acampamento de verão do clube. Apesar de sua postura um tanto quanto religiosa, em certos momentos, tirar um pouco da legitimidade de suas afirmações, a coragem e desejo de trazer à tona a verdade são características admiráveis do trabalho dele. As câmeras escondidas captaram imagens exclusivas da “Cremação do cuidado”, evento anual realizado no final do mês de julho, em que é “simulado” o sacrifício de uma criança em frente a uma estátua de concreto, com doze metros de altura, de uma coruja (símbolo do clube), atribuída ao deus babilônico Moloch. Por alguns historiadores referirem-se à Moloch como uma espécie de demônio da antiguidade, a queima da efígie humana (simulação do corpo de uma criança), levanta suspeitas por tratar-se de um ritual com pesadas características ocultistas, certamente elaborado, nos mínimos detalhes, por alguém ou um grupo com extremo conhecimento de causa. A Cremação do Cuidado (Cremation of care), é feita sob pesadas regras de sigilo e é protegida por serviços de seguranças particulares e colaboração de agencias de inteligência de vários países! A queima da efígie acontece a uma distância razoável dos mais de dois mil membros que participam do encontro anual. A análise das imagens e do áudio captados pelas câmeras de Alex Jones revelam uma série de gritos quando um sacerdote, vestindo túnicas e mantos parecidos com os da Ku Klux Klan (assim como diversos outros integrantes do ritual), ateia fogo a “efígie humana”, envolta em panos, sobre uma espécie de altar em frente a estátua gigante de Moloch, que tem feições de coruja. Os detalhes assustadores da cerimônia são muitos e merecem atenção (e espanto!) por tratar-se de um ritual em que estão presentes centenas de figuras de considerável influência na política, economia, meios de comunicação, universidades, cinema e indústria mundial. Amigos, atentem para o fato de que isso acontece ANUALMENTE. 

São poucos selecionados, algo acima de dois mil membros, todos homens, pois não são aceitas mulheres, que se reúnem para participar de um ritual em que, possivelmente, uma criança seja sacrificada na frente de um personagem do Antigo Testamento, pois Moloch é mencionado no Livro de Levíticos. Esta cerimônia começou a ser realizada em 1929 e, até hoje, acontece sem qualquer cobertura da imprensa mundial. Os homens da família Bush (que também são membros dos Skull and Bones), Ronald Reagan, Nixon, o Príncipe Charles, Bill Clinton e Alan Greenspan (economista norte-americano que foi visto saindo do Bohemian Grove semanas antes de assumir a presidência da Reserva Federal Americana), as famílias Rockfeller, Rothschild e outras mais, não são apenas membros do Bohemian Club, mas também de outras organizações, como o Clube de Bilderberg, a Aliança Trilateral e o Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Estes poucos personagens aqui citados foram (e são) responsáveis por diversas guerras e politicas externas que afetam a economia, soberania e segurança das populações de países por todo o planeta. 

As questões são: Por que líderes mundiais precisam manifestar este tipo de comportamento? Participar de uma “simulação de sacrifício de uma criança” não seria, por si só, algo suspeito? E o que dizer quando as lideranças globais estão envolvidas nisso, participando e ajudando a manter a névoa em torno de suas atividades e verdadeiras agendas? 

Talvez seja impossível responder a estas perguntas, porém podemos unir as peças do enorme quebra cabeça que se desenha perante nossos olhares e procurar ligar os fatos para visualizar o verdadeiro cenário global que afeta, de uma forma ou de outra, nossos cotidianos. Não deixe de acompanhar a continuação desta pequena tentativa de lançar luz sobre estas organizações no próximo post, em que falaremos exclusivamente do Clube de Bilderberg, Aliança Trilateral e Conselho de Relações Exteriores e, para encerrar, um terceiro e último capitulo em que abordaremos o Sistema de Reservas Fracionárias e a atuação dos bancos nacionais e internacionais como verdadeiras engrenagens de um sistema global que procura manter os cidadãos de continentes inteiros sob uma espécie de controle, muito conveniente para eles, retardando ou impossibilitando o despertar!



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As mulas e os trotes


Pleno período dos trotes nas universidades. A maneira mais imbecil que os “veteranos” recebem os “calouros”, e a forma mais inútil que os recém-chegados acham para se inserir no ambiente acadêmico.

A questão não é somente pintar o rosto, comemorar a entrada no ensino superior e confraternizar com os outros estudantes. O tema passa a gerar polêmica no momento em que alguém é forçado direta ou indiretamente a participar de um trote violento. Assim, imediatamente a reflexão se torna válida.

Surgem notícias que seguem a linha da violência psicológica e física. Ingerir comida com vômito e fezes. Correr sob o sol carregando vísceras de animais. Deitar no chão enquanto é pisoteado e coberto por lama, urina, tinta, comida estragada. Chamar de tortura não é exagero. Embora a tortura possua o frágil pretexto de arrancar informações, no trote, qual é o pretexto?

Alguns dizem que essa iniciação tem como pretexto marcar a passagem ao ambiente intelectual. Como se antes de entrar efetivamente para a universidade, o calouro precisasse ser domesticado através do trote violento. É trágico ouvir uma besteira dessas. E, como se não bastasse, existem professores que a dizem. São os mestres da repetição, popular “papagaiagem”. 

Achar normal a dita comemoração que, muitas vezes, acaba em morte por coma alcoólico, morte por afogamento, marcas físicas irreparáveis, desistência de seguir na faculdade, é tapar o sol com a peneira, empurrar o problema com a barriga. Coisa que muitos reitores são PhD no assunto.

Para minimizar a polêmica questão dos trotes, alguns reitores lavam as mãos baixando instruções internas que o proíbem dentro dos campus. A comemoração foge aos olhos da comunidade acadêmica e, em geral, concentra-se em repúblicas, sítios e clubes, onde a festa começa com intimidações e termina com violência. É repugnante ver o sadismo estampado nas faces de alguns “veteranos”.

Longe das universidades e sem uma repressão a essa prática ignorante, uma das formas de persuadir os “bixos” - que muita gente acha bonitinho escrever com X nas faixas comemorativas, é o chamado suicídio social. Consiste em forçar indiretamente o calouro a participar dos rituais de iniciação. Ou seja, o papo furado é; Se não participar dos trotes, o “bixo” não será convidado para as festas, viagens do curso, seminários.” Será excluído. Como se os calouros precisassem dos “veteranos”, - os mais babacas, diga-se de passagem, que dão um tempo nos “estudos” para aplicar trotes violentos, para exercerem a sua independência acadêmica.

Calouros jogam no lixo sua dignidade e cantam pelos corredores da universidade em tom de brincadeira; “Bixo não é gente, bixo não é nada.” Repetem, com orgulho desesperado, a mesma frase nas redes sociais. Fortalecem, indiretamente, uma possível atitude violenta por parte dos “veteranos”. Alimentam as mulas. 

Já que a maioria dos calouros vem do ensino médio, jovens com pouca idade, afoitos por aceitação, não resistem à ameaça de exclusão. Quem por volta dos dezessete anos quer realmente ser excluído? A armadilha dá certo e quase todos aderem. Aqueles que ainda assim resistem e se recusam a participar, são convencidos pelo uso da força.

O resto é fácil de imaginar. Discussões, brigas, mais violência e temos o alimento que os trotes precisam para serem repassados ano após ano, isso desde o século 14. Por volta do ano de 1340, na universidade de Paris, já constam relatos dos primeiros trotes violentos.

Vemos então que a boçalidade é importada. No Brasil, há um dos primeiros casos de trote que não terminou bem registrado no ano de 1831. Em 29 de março daquele ano, na faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco, um estudante recusou-se a participar das humilhações e foi morto a facadas e bengaladas por um dos veteranos. O que mudou de lá para cá nos trotes violentos foi que as pessoas deixaram de usar bengalas como moda, pois a violência dos trotes ainda segue como tendência. Quanto mais idiotas são os “veteranos”, mais cruel é o trote. Constatação simples feito dois mais dois, que, para alguns praticantes de trotes violentos, a conta dá zero.

Fica claro que há um circulo vicioso nos trotes. O pensamento simplista é; “Se nesse ano recebi, ano que vem vou aplicar.” Repetir a humilhação nos então calouros.

Existem inúmeras possibilidades que substituem o trote por uma atividade que propicia a integração dos estudantes e, simultaneamente, traz benefícios à comunidade na qual a universidade está inserida. Basta incentivo da instituição de ensino e vontade dos alunos.

Passa, também, por uma questão pessoal a atitude de quebrar o ciclo. Reproduzir a babaquice dos trotes violentos, nada mais é do que uma espécie de vingança do avesso. De calouro intimidado, alguém passa à veterano que precisa a todo custo provar a sua suprema burrice. 

A palavra trote remete a cavalos, mas nas universidades, brasileiras e mundo a fora, trote lembra mulas e burros. Que empacam e repetem atos violentos erroneamente chamados de “brincadeiras”.


Breve Cronologia do trote no Brasil

1831 – Francisco da Cunha e Menezes, morto a facadas e bengaladas por um veterano na Faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco.

1861 – Stockler de Lima, aluno do 5º período da Faculdade de Direito do Largo São Francisco – SP. Espancado por tentar defender seu irmão que sofria humilhação em um trote. Entre os agressores estão, Theofilo Carlos Ottoni (filho de um futuro governador de Minas gerais) e Manoel de Campos Salles (Futuro Presidente da República).

1881 – Fundação de um clube antitrote na Faculdade do Largo São Francisco, pelo escritor Raul Pompéia. Clube Nove de Setembro.

1957 – Na PUC Sorocaba – SP, alunos da primeira turma de medicina aplicam trote em si mesmos para terem o direito de fazê-lo na turma seguinte.

1962 – Na mesma PUC Sorocaba, um aluno foi colocado nu em um barril de água com cal. Resultando em sua morte.

1970 – Devido ao uso de ácido no trote, aluno fica cego em Faculdade do interior de SP.

1975 – Cinquenta alunos da faculdade de engenharia da Universidade Federal do Paraná, têm a pela queimada por cal.

1980 – Na academia militar de Realengo – RJ, calouro é amarrado aos trilhos do trem e morre devido à um infarto.

1990 – Mais um aluno morre de infarto, após fugir de um trote, na Fundação de Ensino Superior do Rio Verde, em Goiás.

1991 – Aluno sofre trote/tortura, durante 30 horas na Universidade Federal da Bahia.

1999 – O calouro da faculdade de medicina, da USP, Edison Tsung Chi Hsueh, morre afogado numa piscina dentro da Universidade. Outros calouros contam que ele avisou que não sabia nadar, mesmo assim, veteranos o jogaram na água e pisavam nas mãos de quem tentava se agarrar na borda.

2010 – Na Universidade de Brasília, veteranos obrigam calouras a simular sexo oral com linguiça molhada em leite condensado.

2014 – Jovem é levado em coma para o hospital devido a trote aplicado por veteranos do curso de engenharia mecânica da Universidade Federal de Santa Maria. O jovem tinha as roupas encharcadas com querosene.



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