A verdade está lá fora? Um bate-papo com o ufólogo Rafael Amorim


Rafael Amorim é Designer Publicitário e reside em Santa Cruz do Sul. Enquanto ufólogo atua como Coordenador do Núcleo de Estudos Ufológicos de Santa Cruz do Sul (NEUS). Faz parte da Comissão Brasileira de Estudos Ufológicos (CBU) e do Movimento Gaúcho de Ufologia (MGU). Rafael também é membro do Conselho Editorial da Revista UFO, além de ser consultor de arte da revista.

Conferencista nacional e internacional, o ufólogo atua em diversos estados do Brasil e na província de Buenos Aires, na Argentina. Pesquisador de campo com mais de 500 noites de observações, Rafael também é membro do Centro Brasileiro de Pesquisa de Discos Voadores (CBPDV).

Estudioso da doutrina espírita com participação direta nos trabalhos mediúnicos do Centro Espírita Allan Kardec, de General Câmara - RS, nos anos 90, o ufólogo adota espiritualidade e ciência na busca de respostas para o fenômeno UFO.
Quando você teve o primeiro contato com o tema? Foi em virtude de algum acontecimento específico ou através da mídia?

Em 1978, com o filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau houve uma febre em torno de temas relacionados a ufologia em minha casa e o meu pai trouxe o primeiro livro que li sobre o assunto chamado Projeto UFO. Eu tinha 7 anos, nessa época, já lia bastante e com dificuldade tentava entender sobre aquilo, ao mesmo tempo em que já olhava para o céu com curiosidade através de minha luneta.


Contatos Imediatos de 3º Grau é um dos mais cultuados filmes de Steven Spielberg

Mais ou menos nessa época, houve um dos casos ufológicos mais extraordinários do Brasil, não é mesmo?

Sim, inclusive vou me encontrar com a protagonista de um dos casos mais famosos da época em julho, o Caso Ermínio e Bianca. O Ermínio já é falecido e verei a Bianca no Fórum de Contatados. Eles estiveram no programa Flávio Cavalcante. Houve outros tantos casos nessa época que foram muito importantes, mas esse se destacou por causa do programa do Flávio.




O que aconteceu com eles?

Hermínio e Bianca  
Trata-se de um contato imediato de 5º grau (ocorre quando o observador chega a entrar no óvni). Um casal, Hermínio Reis e Bianca Maria Aparecida de Oliveira estavam viajando do Rio de Janeiro para Minas Gerais quando em certa parte da estrada pararam seu carro, um Carmanguia, a fim de descansarem. Foi quando ela observou algo que parecia ser um avião caindo. Um vulto escuro, como ela descreveu, aproximou-se do carro e ascendeu as luzes em cima deles. Em seguida se viram dentro dessa aeronave onde tiveram um contato direto com um tripulante que se chamava Karran. Eles tiveram um longo diálogo e depois foram colocados de volta na estrada. O caso ganhou notoriedade por conta da integridade dos dois e por causa do programa citado. O Flávio Cavalcante repudiava o tema e nunca tinha aceitado esse tipo de entrevista, mas se rendeu devido a integridade e simplicidade do casal. Posteriormente, ocorreram outros contatos com o tal tripulante e isso acabou mudando toda a vida deles.


Você poderia me falar um pouco sobre o Fórum de Contatados desse ano?

Será um evento único. Diversos contatados do mundo inteiro virão para Florianópolis e contarão as suas experiências com os tripulantes dessas aeronaves não identificadas. As informações sobre o evento estão no endereço www.contatados.com.br. O evento é aberto a qualquer interessado.


Rafael, você coordena o Núcleo de Estudos Ufológicos de Santa Cruz do Sul (NEUS). Quando surgiu a ideia de formar o núcleo? Quais são os trabalhos que vocês realizam?

A ideia surgiu em 2006 quando eu e mais três pessoas resolvemos fazer reuniões periódicas, nas quais poderíamos discutir sobre ufologia. Como eu já era envolvido com isso através da minha participação em congressos e palestras pelo Rio Grande do Sul, fiquei como coordenador das sete atividades que realizamos naquele ano, culminando com o Encontro de Estudos Ufológicos, em Santa Cruz do Sul. Esse evento reuniu cerca de 300 pessoas e pelo menos quatro palestrantes de nome no cenário brasileiro. A partir de então, o núcleo se tornou consistente e seguimos com as atividades de vigílias astronômicas, encontros e palestras pelo Brasil afora.

Há três anos, criamos também o Movimento Gaúcho de Ufologia (MGU) junto a mais cinco grupos de pesquisadores de Porto Alegre, Venâncio Aires, Pelotas e mais recentemente de Tramandaí. O MGU realiza em Porto Alegre todos os anos a Semana Ufológica que tinha sede no Colégio Militar de POA e que nesse ano se transformou num congresso internacional de ufologia.


Pelo que eu percebo, as entidades são muito organizadas e, de certa forma, unidas. Elas são autossustentáveis? Como elas se mantêm?

Sim, somos bem organizados e no caso do NEUS se autossustenta. Até esse ano tínhamos uma sede no Parque da Oktoberfest, oferecida pela Prefeitura Municipal. Este ano, em função da troca de administração, nos retiraram do lugar. No entanto, mantemos as reuniões em outros dois lugares. Quanto ao MGU, se mantém pelas próprias doações dos grupos participantes e por conta deste evento em Porto Alegre.


Como funcionam as vigílias astronômicas?

Nas vigílias estudamos a astronomia, seus fenômenos e a natureza afim de desmistificar alguns enganos que as pessoas não entendidas no assunto venham a cometer. Por vezes, temos que ir até os locais onde foi avistado alguma coisa a fim de observar a atmosfera e geografia do local. Em determinadas ocasiões, nos deparamos com fenômenos normais, tanto astronômicos como de nossa própria natureza terrestre. Porém, houve uma ou duas vigílias em que acabamos por registrar objetos aeroespaciais não identificados e ainda estamos investigando esses casos.

Rafael Amorim - Foto: Arquivo pessoal

Vocês já receberam chamados de pessoas da região?

Recebemos várias. Algumas vezes as rádios e canais de televisão locais nos avisam de algo, pois as pessoas acabam ligando e eles nos repassam.


Algum desses casos intrigou vocês?

Sim. Eu estava pesquisando um grupo de místicos que diziam fazer contatos com extraterrestres através de transcomunicação instrumental (linha de estudo que sugere a possibilidade de comunicação entre seres humanos e entidades espirituais através de aparelhos eletrônicos) e mesas de canalizações (conjunto de ferramentas e/ou técnicas que um médium utiliza enquanto procura por um espírito que canalize informações - tábuas Ouija e transe, por exemplo).

Eu acompanho o grupo há cinco anos (ou mais) e em meados de 2010 houve a aparição de objetos não identificados durantes as sessões de contato deles. Eu e mais seis pesquisadores de Porto Alegre fomos até o local das reuniões e montamos uma vigília. Por volta das três horas da manhã, começamos a observar objetos que pareciam satélites a fazer manobras. Constatamos logo que não eram satélites por motivos óbvios (satélites não são vistos pela madrugada, apenas até às 21 horas mais ou menos). Estranhamos também em função dos vôos em formação e algumas manobras irregulares para satélites. Foi um verdadeiro show de aeronaves desconhecidas. Oito, no total.

Procuramos no nosso Orbitron (programa que nos mostra as rotas de satélites ISS) alguma coisa, mas não havia nada. Ficamos perplexos e levamos o caso para astrônomos de renome com Márcio Mendes. Além disso, consultamos aeroportos e CINDACTAS (centros de controle do tráfego aéreo). Nada. O caso só não foi levado até a NASA por falta de veículo, ou seja, alguém para nos colocar com a repartição certa dentro dela, o que é bastante difícil. No entanto, a opinião dos astrônomos já nos bastou para validar a presença de objetos aeroespaciais não identificados. Coincidência ou não, aconteceu e ainda mostro esse caso em minhas palestras.


Interface do software Orbitron 3.11

Há pouco tempo, surgiu um suposto depoimento de um ministro canadense falando sobre alienígenas. Você viu? O que acha?

Todos nós sabemos que ele está mentindo.  Trata-se de um caso típico de campanha de desinformação. Para a maioria dos meus colegas da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), o Hellyer já divagou antes, mas sempre – acredito – de boa fé. Ele não tenta se autopromover e nem sabe que pode estar divagando. Ele é muito boa gente. Há certas afirmações dele no passado que ficaram esquisitas, tanto quanto esta. Muita gente se arrepiou ao ouvi-las. Mas muitas coisas ditas não eram tão absurdas. Quanto a ser ministro do Canadá, não se esqueça de que ele o foi há décadas, quando o Canadá era outro país. Mesmo assim, ele aceitou a vir ao Brasil falar pra gente no V Fórum Mundial de Ufologia, em outubro, em Foz do Iguaçu. Assim, a gente pode ter um "téte-a-téte" com ele de forma mais aprofundada.


Pra você, enquanto ufólogo e após tantos anos pesquisando sobre o tema, eu pergunto: quais seriam as intenções dos alienígenas?

Não podemos calcular as intenções dos alienígenas se ainda não temos a certeza de que o fenômeno dos objetos voadores não identificados se trata realmente de alienígenas nos visitando. Temos evidências de pessoas que disseram estar diante dos tripulantes dessas aeronaves e elas afirmam que os UFOs são de outras esferas não terrestres. Existem ainda teorias que afirmam que essas naves são máquinas temporais e que esses "alienígenas" são nós no futuro, voltando para consertar determinadas coisas em nossa sociedade. E outras tantas teorias...


Tem algo mais que você queira dizer, enfim, o espaço é todo seu, Rafael...

Bom, o fenômeno UFO existe, é tão real quanto qualquer coisa neste mundo. O quenos falta é buscar entendê-lo para que possamos quem sabe fazer um contato direto com as inteligências, sejam elas quais forem, que manipulam estes objetos voadores não identificados. Este fenômeno é tão significativo e ocorre em qualquer lugar deste nosso mundo e com qualquer pessoa. Espero que o trabalho realizado pela CBU, a qual faço parte, seja mais um degrau transposto em direção a respeitabilidade do trabalho de homens sérios que buscam a elucidação de mistérios que nos intrigam há milhares de anos.



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