Entre o fast-food e o sexo tântrico


Pressa, pra que te quero? Quem tem pressa não saboreia nada. É uma mordida no pão. Um gole no café. Dois bom dia e alguns olá. E lá se foi a manhã. O mês. O ano. A vida. 

A pressa é como uma ferrugem. Ferrugem que não se nota. A maioria não nota. E, quando algumas pessoas notam, as mesmas fazem questão de repetir como se estivessem num palanque. A vida é assim mesmo.  Justificam.

Colocaram em nossas cabeças um chapéu revestido de pregos. Encravaram em nós o dúbio conceito de que tempo é dinheiro. Justificaram a pressa. Cabe um pequeno referencial histórico. Com o final da Segunda Guerra Mundial, era hora de juntar os cacos. Organizar a casa. Do tapete ao lustre. Diante disso, governantes, empresários e outras classes de influência traçaram metas e formularam planos nos mais variados setores da sociedade.  O consumo ganhou status de locomotiva. Puxou aqueles que aderiram ao time is money e deixou para trás os menos hábeis em correr contra o relógio. A sociedade mundial, quase que generalizadamente começava o esboço da chamada modernidade líquida, como batizou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Atualmente, boiando nessa modernidade líquida, estão temas como, amor, capitalismo, meios de comunicação, internet.  E, claro, ela.  A pressa. 

Além de reduzir as possibilidades de apreciação do mundo à nossa volta. A pressa faz com que nosso processo criativo diminua drasticamente. Pensar com calma aflora a razão. Hoje em dia razão e consumo não se topam muito. Já pressa e consumo são unha e carne. Passamos a prezar por ideias já mastigadas. Compramos o pão pronto sem questionar de onde vem a farinha. Muitas vezes deixamos a cargo de cronistas meia boca, o papel de questionar.

Macarrão instantâneo. Suco instantâneo. Receitas para conquistar a pessoa amada em três dias. Como ser feliz seguindo a filosofia de vida rasteira das formigas. Preciso escrever mais para provar a nossa pressa? Ou seria imediatismo?

Não estou disposto a defender a ideia de que devemos fazer mímica de bicho-preguiça. Tampouco, não quero chegar ao extremo de achar a manivela que dá corda no mundo a fim de fazê-lo girar mais rápido. Questiono se o meio termo não seria a melhor opção. Desacelerar o consumo. O ritmo de trabalho. A mente. O coração. Sinto cheiro de utopia.

Escrevo agora sobre influência dela. Confesso que não escapo. A subjetividade da decisão de escrever sobre a pressa prova a influência.  Não entrarei em detalhes. Para maiores explicações leia Freud. Escute Pink Floyd. Ou fique no meio termo, como falei antes. Entre a pressa e a preguiça. Entre o fast-food e o sexo tântrico. Quase que um monge budista com perfil no Twitter.



Compartilhar: