Medialunas: entrevistamos o casal mais rock 'n' roll da cena independente!



Conheci a Medialunas, de Porto Alegre, através do finado Trama Virtual e, de cara, fiquei maravilhado. O Intropologia, disco de estreia da banda, não sai do meu mp3 player. "Frames", a nona faixa (e minha preferida), martela na cabeça até hoje. Coisa de fã, mesmo.

O álbum figurou em inúmeras listas de melhores discos nacionais em 2012 e, se como se não bastasse, foi elogiado até pelo Robert Smith, do The Cure, durante uma entrevista que ele concedeu recentemente.

A Medialunas é fruto da união musical de um dos casais mais atuantes da cena independente brasileira. Andrio Maquenzi (Superguidis, Urso e Worldengine) na guitarra/vocal e pela Liege Milk (Loomer e Hangovers) na bateria/vocal. 

Eles compõem em inglês, espanhol e português. Depende do momento, depende da inspiração. E isso é bacana, pois mostra a sinceridade do casal. Eles fazem o que querem e ponto final.


Vocês lançaram o Intropologia e liberaram para download gratuito. A internet é, de fato, um bom meio para a divulgação do trabalho? Vocês percebem uma boa repercussão?  
Sim, sim. A internet, usada com moderação, é uma baita ferramenta. Comparada com os sistemas que estávamos acostumados (gravar uma fita K7 ou cd e ir fazendo cópias para distribuir aos amigos e sonhar com uma grande gravadora, ou passar o dia inteiro ouvindo radio com o dedo no REC pra finalmente pressioná-lo quando sua música preferida do momento tocar) é uma maravilha! O disco está disponível lá. Quando o pessoal quiser ouvir, se interessar, vai lá e baixa, e passa pra quem quiser. Praticidade. 

Porém, somos contra os spams excessivos e invasivos, o que acaba fazendo com que você odeie a musica/banda, as vezes sem nem conhecer! Por isso frisamos: usada com moderação. 

Contudo, temos cópias físicas do Intropologia, para que os saudosos, como nós, possam pegar o "álbum" na mão, e colocar no rádio pra tocar. A ideia é fazer a próxima empreitada em vinil.

Capa do álbum Intropologia, lançado em 2012

As gravações do álbum foram em casa mesmo? Um esquema lo-fi? 
Sim. As guitarras e vozes foram gravadas em casa, direto no computador. Já para gravar as baterias, levamos a galera do Coletivo 4'33, os mics e o bendito computador para o Estudio Ampola, em Porto Alegre. Nós ensaiamos muito, há muitos anos no Ampola, é praticamente nosso segundo lar. Logo, foi tudo realmente gravado "em casa". :)



Quais são as influências da banda? 
É tanta coisa... sempre tivemos bandas, mas decidimos tocar juntos quando surgiu a ideia da gente fazer um som que soasse como nossos amados Yo La Tengo, que nos representa muito. Mas aí no meio, cada um de nós carrega bagagens musicais que vão de Miles Davis a Sepultura. De Mutantes a Nirvana. De Sigur Rós a OFF! O lance é não ficar pensando nas influências. Elas sempre respingam no som, de uma forma ou de outra. Tá tudo ali. Mas criando algo novo. 

Foto por Mario Arruda

A Medialunas foi elogiada pelo Robert Smith, do The Cure, numa entrevista que ele concedeu aqui no Brasil há pouco tempo durante a passagem da banda. O The Cure é uma influência também? Qual foi a sensação?
Porra, essa foi a coisa mais louca da nossa vida até agora. A gente tava cada um no seu trabalho quando estourou a notícia nas redes sociais. A gente ainda não sabe como nosso som foi parar nos ouvidos dele. 

O que encanta, é que pelo visto, não apenas passou pelos ouvidos como ficou martelando de alguma forma na mente. Bem como tantas músicas dele martelam em nossa cabeça até hoje. É uma sensação loucona... alguém que você conheceu pela música que faz com o coração, tomou conhecimento da sua existência pela música que você também fez com seu coração. 

Não tem como explicar direito. Mas ficamos muito felizes e voltamos a ouvir o Wish incansavelmente, como ouvíamos há alguns anos atrás! :) 

Divulgação - por Gabriel Not

Vocês possuem outros empregos ou vivem exclusivamente de música?  
Temos empregos relacionados a música. O Andrio trabalha com trilhas, jingles, e eu dou aulas e oficinas de musicalização e trabalho também com sonorização e produção cultural. 

Quais são os planos daqui pra frente? 
Sei lá. A gente nunca fez planos, musicalmente falando. A não ser continuar fazendo as coisas a medida em que elas vão saltando de nossas mentes e corações. A vida é muito curta pra ficar idealizando...né?

Foto por Mario Arruda

Compartilhar: