O carnaval alegra muita gente...


A festa que a maioria pula, brinca e bebe. Popular como o fusca. Esperada por muitos, tanto quanto o próprio aniversário. Festa regada com cerveja. Unanimidade entre os estrangeiros homens, que visitam o país nessa época do ano atrás do samba e da beleza da mulata brasileira. Eles viraram até produto de exportação. A beleza da mulata e o samba, a cerveja deixa muito a desejar. A festa que contribui com o PIB do país dos confetes. Festa pagã onde quase tudo, - ou tudo é liberado? 

Atravessar a avenida em cima do carro alegórico. Beber no gargalo. Beijar dezenas de foliões numa só noite. Transar no conforto de um muro sem reboco. Vomitar segurando com as duas mãos numa placa de PARE. Dormir na calçada. Urinar na vitrine de uma loja de grife. Escutar a mesma marchinha vinte vezes e cantar junto, como se a música fosse uma novidade. As ruas se fecham e os sorrisos se abrem. “O abre alas que o carnaval vai passar...

Do camarote até a beira da praia. Da esquina lotada até a casa que virou QG. É certo que o ano engrena de fato somente após o carnaval. Embora alguns não concordem, já faz parte do calendário biológico do brasileiro a quarta-feira de cinzas adquirir ares de primeiro de janeiro. E o Brasil, com sua enorme extensão territorial e sua disposição para a diversidade, aceita todo tipo de variação da festa. 

O carnaval da Bahia, com seus trios elétricos arrastando multidões e gerando cifras estratosféricas. O carnaval de rua de Minas Gerais, onde blocos invadem as estreitas ruas históricas e fazem dos casarões uma espécie de arquibancada ao estilo barroco. Colares, penachos e cocares, o Amazonas, com seu carnaval carregado de influencia indígena. 

Tem a passarela do samba no Rio de Janeiro, enorme estrutura demonstrando que sim, quando queremos, somos capazes de conciliar diversão com organização. Ainda no Rio, as ruas são tomadas por foliões em seus blocos formados décadas atrás. Uma cultura popular passada de geração a geração. De fantasia em fantasia, o povo expressa suas crenças, seus gostos, sua intenção política? - Parece que a mascara da Presidente Dilma está com pouca aceitação no mercado. 

Aqui no Rio Grande do Sul, nosso carnaval, modesto, divide-se em bailes nos clubes, desfiles nas avenidas e acampamentos em balneários. Há quem não goste do carnaval, são justamente esses os que escolhem os acampamentos como destino para fugir do “ziriguidum” da festa do rei momo. Ainda assim, não vamos ser hipócritas. O carnaval movimenta, mesmo que, em alguns casos, informalmente, a roda da economia. Vejamos o senhor sem renda fixa, que tira alguns trocados vendendo churrasquinho, até o grande empresário que fatura alto com a venda de abadás. 

Entre os que gostam e levam ao pé da letra, aparece o doutor vestido de enfermeira. A professora sai na rua fantasiada de mecânico. A criançada joga espuma. O mendigo, de calça social e chinelo de dedo, dança ao lado do policial. Oficialmente, ao menos por cinco dias, as diferenças sociais são atenuadas, - mascaradas?, pelo som do surdo, do tamborim e da cuíca. 

Difícil nomear quem sai à rua nesses dias de festa. Pessoas casadas, solteiras, viúvas, crianças de colo, idosos cadeirantes. É mais fácil contar quantos confetes cabem num saquinho de trezentas gramas, do que tentar descrever em detalhes essa singular festa brasileira. O carnaval é de todos. O país, no carnaval, é de todos. Pena que no resto do ano a fantasia vira uniforme e poucos aproveitam o baile.



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