Primavera em detalhes


Estamos na primavera. Flores, abelhas, mel e mulheres calçando sapatilhas. Tenho grande simpatia por estas belezas que a nova estação proporciona. E mesmo parecendo que não há ligação entre si, para mim, elas guardam uma íntima relação. Poderia escrever sobre cada uma separadamente que, ainda assim, não esgotaria o assunto. A estação recém-iniciada atiça todos os cinco sentidos. É o momento do anúncio com um grande cartaz colorido pendurado nas árvores, letras em forma de pétalas no ipê amarelo: Em breve o verão, aguardem. 

Qualquer canteirinho na calçada e a estação das flores faz jus ao nome. Margaridas, tulipas, azaléas, rosas e violetas. A primavera tem muito mais tipos de flores do que a minha memória suporta. Várias com nome de mulher, ou seriam mulheres com nome de flores? A primeira ligação salta aos olhos. A maioria das mulheres adora flores. Nada forçado, a preferência se confirma em qualquer floricultura.


E já que toquei nas flores, agora, com cuidado, toco nas abelhas. Magnífico inseto do nosso planetinha. Vivem numa espécie de monarquia. As operárias colhem o pólen, as soldados protegem a colmeia, enquanto a rainha, soberana, administra a continuidade da espécie. Invejo o senso de coletividade delas. Só não bato palmas para não deixá-las ainda mais agitadas. Pois com o início da primavera, a florada, vem a época em que elas saem para coletar alimento. 

Provavelmente você vai cruzar com alguma abelha por aí. E por favor, não a mate, tratamento desonroso basta o uso abusivo de agrotóxicos nas lavouras que, segundo alguns estudos, são uma, senão a principal causa da diminuição da população de abelhas no mundo. Logo elas, que de flor em flor, vão polinizando em torno de 75% de nossas plantações. Ou seja, a produção mundial de alimentos tem ligação com a intensa atividade destes extraordinários insetos. Trabalho quase invisível e silencioso, elas transportam material genético de uma planta para outra. A biodiversidade agradece às abelhas. Consequentemente, nós deveríamos fazer o mesmo.


De flor em flor, de abelha em abelha, mel. Tudo doce no quinto parágrafo. Há quem não goste do produto, mas é altamente recomendável trocar o açúcar refinado pelo mel. Usar mel puro, sem exageros, para adoçar vários tipos de alimentos. Opções não faltam. Bater junto com o café. Passar no pão. Misturar nas vitaminas ou no suco de frutas. No início a troca é complicada, o gosto forte do produto dá a impressão de matar o sabor de outros alimentos, mas, com o tempo, acostuma-se, verá que ruim mesmo era o açúcar, repugnantemente doce. Aposte no mel, seu sistema imunológico ficará reforçado, traduzindo-se em mais saúde.


Agora, o último item da estranha combinação de belezas da nova estação. As Sapatilhas. Antes que alguém pense que estou disposto a usá-las, - mesmo parecendo tão confortáveis, ou então pior, que já as uso, completo; Sapatilhas em pés femininos. Sou um fervoroso defensor de que as mulheres devem usar cada vez mais esse tipo de calçado. Poucas coisas no mundo são tão singelas, charmosas e meigas, quanto ver uma bela mulher calçando sapatilhas. Além da beleza, calçados baixos não sobrecarregam determinadas partes dos pés e contribuem para uma melhor postura corporal.


É um charme fulminante, eu olho, admiro, penso na França, imagino bailarinas. Mulheres têm mais chances de voar - como se fossem lindas abelhas-rainha – se usarem sapatilhas do que salto alto. Elas flutuam. Não entendo de onde vem a minha atração por este tipo de calçado feminino e também não reduzo meu gosto por elas a um fetiche. Deve ser algo muito mais complexo. A maioria dos homens prefere mulheres calçando saltos altíssimos. Comigo, a coisa é mais embaixo, pequenas sapatilhas, cada passo e eu quase infarto.

As ligações ficaram nítidas? Primavera, desabrochar das flores. Abelhas saindo para alimentar-se e produzir mel. Dias mais iluminados, temperatura agradável, mais gente nas ruas e a beleza das sapatilhas invadindo as calçadas. Haja coração para tanta primavera.


     
Compartilhar: