O voar e eu


Sobre uma pseudo professora de matemática fazendo textos;

Na ânsia de me descrever, de me apresentar, procurei uma palavra que me definisse. Para uma geminiana, que constantemente muda de ideia, é um trabalho difícil... Geralmente geminianos divagam em assuntos e opiniões, viajam na maionese com filosofias e voam...

Nascida e criada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, sempre ouvi minha mãe dizer que eu era muito “avoada”, fazia tudo com pressa, era/sou estabanada e por vezes fico olhando para o nada, voando entre as nuvens de pensamento...

Cresci tentando ter foco em algo na vida. O grande foco era ser professora de Inglês e no meio de minhas aulas do verbo “to be”, ensinar algo sobre Shakespeare, mas por ironia, fui aprovada no vestibular estando no segundo ano do ensino médio e não pude ir cursar o tão sonhado inglês. Acabei fazendo o que? Perdendo o foco, fiquei mais uma vez voando e pensando o que eu poderia fazer da vida, já que além de ter sido aprovada no vestibular antes do previsto, meus pais já tinham me avisado que não me queriam muito longe $$.

Acabei na matemática, com a gana de ensinar algo difícil para mim mesma, com a vontade de entender como as pessoas aprendem e cheia de expectativas... O que aconteceu? É, no meio da aula de Teoria Elementar dos Números, ou de Lógica, lá estou eu voando... Voando entre os mais variados pensamentos... Alguns desses se perdem quando o professor pergunta qual seria a expressão que generaliza um número ímpar ou qual é a tese e a hipótese do teorema do ângulo externo. Outros pensamentos ficarão aqui. 

Peço a mão do leitor para que, brincando de ser Peter Pan, possamos voar de mãos dadas nos meus pensamentos e nos teus. Pois a palavra voar, com certeza não descreve só a mim. E ao contrário do que minha mãe pensa, não é tão ruim estar no mundo da lua.



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